sábado, 31 de julho de 2010

Entrar na singularidade existencial


Vânia Dantas
Filósofa Clínica
Uberlândia/MG


Os rituais intuitivos se realizam na mente; nela são revisitados espaços mágicos por onde passamos, onde estiveram duendes, os elementais da natureza, por entre os troncos estreitos de árvores adolescentes ainda um pouco verdes no cerrado de inverno.

Estão lá, na baixada da capoeira de nosso altiplano rodeado de represas. Muita terra se vira em poeira e repousa nos sapatos, no rosto e faz parte de nós pela respiração.

A conexão do chacra raiz com a terra se faz, seja pelos pés bem fincados no chão, seja na postura de lótus, absorvendo do cosmos o “Segredo” ou na manipulação da energia. Tai chi chuan, aikidô, I ching.

A ecologia do corpo vincula-se à natureza alquímica. Absorver o brilho pelo olhar, captar as temperaturas do ar pela pele, conhecer a umidade pelas narinas; sentir em tudo o cheiro, o perfume, o ondear das nuvens, os cochichos do mar, as energias impregnada nos papéis de parede das casas de outrora que hoje são clínicas. Esse instante é eterno.

O coração palpita. A uma grande distância, ele ainda se transporta para as paisagens paraíso. Lá o ritual acontece, com vestes brancas. A inspiração da natureza faz o corpo girar em repouso. O ser se conecta ao todo, é o universo. As árvores são mais belas que as estátuas, pois flexíveis.

As metáforas verbais passam a se iniciar na voz em momentos inspirados; assim é o amor em expansão. De memória, os versos se tornam letras, talvez acalentem os sonhos de alguém, talvez lhe diga de uma vida que canta e o chame para um uníssono.

Nas aulas de pós-graduação, estivemos em danças circulares, mas não o percebemos. Nossos destinos voltam a convergir como há décadas, nos reencontramos com várias pessoas; o destino bate a porta, a roda recomeça. O que há a resolver? Vivamos o desafio: tomemos outros caminhos.

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