sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A menina no espelho da velha

Lisete Silvio
Filósofa Clínica
São Paulo/SP

Tenho um par de olhos e um de ouvidos
Um olho e um ouvido
já viram e ouviram mais que o suportável
Agora, só contemplam e ouvem ecos
Os outros dois nasceram noutro dia
Estão sempre novinhos em folha
O olho busca atrás de todo horizonte
O ouvido, atento, busca o inaudível
No meio disso tudo
Um cérebro e um coração
Ora, correm para acudir um lado
Ora, vão socorrer o outro
Em ambos lado vêem justeza
Pois dos dois saltam razões
E ficam confusamente correndo
A qual dar mais atenções?
Nesse imbróglio de nascença
Vem a menina
Vem a velha
E quando ambas se contemplam
A menina no espelho da velha
Apura-se enquanto é tempo
Já a velha, bem, a velha
no espelho da menina se olha
E vê a outra como à uma filha
Entende todos seus delírios
seus sonhos e arremessos
Com um sorriso pequeno
Pisca um olho complacente
-Isso tudo já conheço...

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