quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os sinais do caminho

Lúcio Packter
Pensador da Filosofia Clínica

Breno cuidou tanto os sinais que esqueceu da estrada. Percorreu todo o trajeto e quando terminou sabia exatamente que tinha terminado porque tinha lido na última placa, metros antes.

Alcina viveu a estrada, os sinais eram apenas referências, instruções sobre cuidados. Avistou Breno diversas vezes, mas este nunca a viu.

Afonso povoou a jornada com sinais contraditórios. Acabou atrapalhado, mas não sabia direito com o que, uma vez que um sinal lhe avisava que tudo estava bem, calçadas abertas.

Clóvis nunca viu qualquer sinal, sempre guiou pelo curso que se abria diante de seus olhos, viajou bem, chegou em paz; diferente do que houve com Evaristo, que também ignorava os sinais, e acabou precocemente sua andança em uma bifurcação acentuada à esquerda.

Gunter vinha atrás de Clóvis e de Evaristo, cuidou as coisas, cuidou ambos, tornou-se um especialista na evolução de Clóvis e de Evaristo, mas pouco sabia de si mesmo. Isso não lhe interessava, aliás.

Heraldo entendia os sinais quando a estrada confirmava lá na frente o que ele havia visto lá no passado; Isidoro, não. Antecipava os sinais; quando não havia sinais, ele tratava de criar alguns. Não acreditava na segurança de coisas não sinalizadas.

Jurandir procurou a vida inteira compreender as relações entre o itinerário e o sentido dos avisos.

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