segunda-feira, 30 de agosto de 2010

QUANTO CUSTA UM SONHO?

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Quanto custa um sonho? Um real e cinquenta centavos.

Não, este não é o preço de um sonho de padaria. É o preço de sonhar acordado. O mais barato que encontrei. Um real e cinquenta centavos é a aposta mínima da mega sena.

Cada vez que um cidadão compra um bilhete, além da probabilidade de ser sorteado e ganhar uma bolada em dinheiro, está comprando também alguns dias de sonho. Até o dia do sorteio, o sonho de ser milionário pode acontecer.

A chance de ser sorteado é uma em 50 milhões, mas isto não importa. O que vale é o sonho, e este não precisa terminar. Apostando um real e cinquenta centavos por semana o sonho e a esperança podem ser renovados e assim vai se levando a vida.

Existem sonhos que não custam nada. Acontecem enquanto se dorme, mas nem sempre são agradáveis. Por vezes acontecem pesadelos e o barato acaba custando caro. Além disto, em algum momento é preciso acordar, e então o sonho se perde, sem chances de renovação.

Sonhar é ótimo, dormindo ou acordado. O ser humano chegou até a lua porque um dia sonhou com isto. Alguns duvidaram que fosse possível, outros negam até hoje. Um grupo de abnegados acreditou na idéia, trabalhou duro e um dia chegou lá, fincou a bandeira, caminhou, tirou fotos e trouxe pedaços da lua. Não foi um sonho barato e jamais se perderá ou será esquecido.

Não ter pão para comer, desejar caviar e toda semana comprar sonhos de loteria é sonhar a vida. Sonhar em ser advogado, estudar, passar no vestibular, cursar a faculdade, se formar e exercer a profissão é viver o sonho.

A diferença entre sonhar a vida e viver o sonho pode ser simbolizada por um despertador emocional. Um aparelho que promova um despertar saudável mostrando que sonhos fáceis, baratos e sem necessidade de esforço podem ser irreais, frágeis, fugazes e com possibilidades de fracasso.

Sonhos caros e trabalhosos inicialmente podem parecer difíceis e até mesmo impossíveis, mas a persistência da busca os torna concretos, palpáveis, perenes e motivo de orgulho.

Fisicamente não teremos condições de viver todos os sonhos e alguns terão que ser abandonados ou reformulados. Desistir ou trocar de sonho não é derrota. Milhares de homens e de anos foram necessários para construir o foguete que levou o primeiro homem a lua. O sonho e o trabalho de todos estes homens não foi em vão.

Lévy Hutchins em 1787 inventou o despertador físico, mas o projeto final ainda não está completo.

O sonho do despertador emocional ainda cativa, impulsiona e mantém viva nos homens a esperança de um dia perceberem que somente acordando de um sonho é que se pode vivê-lo plenamente.

Quanto custa um sonho? Um real e cinquenta.

Quanto vale um sonho? Uma vida!

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