quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não dá pra arrumar

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG

Haja livro espalhado por todos os cantos! Amo os livros! Amigos de todas as horas. Meu sagrado vício.

Penso sempre, um dia vou arrumar minha biblioteca. Ah! Até parece que isto vai acontecer um dia, diz outro lado meu.

Cada livro me convida a mergulhar nele para refletir e navegar por mundos antes não pensados.
Por em ordem? Para que, se eles falam de mil coisas que me fazem muitas vezes ficar confusa.

Aprendi com eles que o Caos é Cosmos. Que o certo pode ser errado. Que tudo pode ser nada. Que a perfeição pode ser um grande engodo. Que bom que eles me ensinaram que posso ser imperfeita, angustiada e livre.

A bagunça eterna de minha biblioteca me permite, como agora sentar frente a porta de vidro e ver lá fora as orquídeas explodindo em forma desordenada em sua estonteante beleza ao lado da estátua de Afrodite que serenamente observa a jardim de primavera. Ah! Vida desordenadamente bela para quem se permite ver e ser.

Que Freud e psicanalistas me perdoem, mas não há interpretação para esta sagrada desordem. Lúcio e Hélio, mestres da Filosofia Clínica, compreendem bem nossa singularidade. Podemos ser como somos sem regras e prejuízos.

Rio quando olho as contradições dos temas a minha frente. Um livro sobre Jesus, outro Anti-Cristo do Nietzsche a darem as mãos esperando sem se preocuparem com minhas reflexões. Posso pensar diferente deles. Que bom! E quanto mais leio menos me preocupo em copiar idéias, sei que nada sei, mas posso pensar por mim mesmo, sem me preocupar com críticas. Viva a liberdade do pensar criativo!

Bem, lá fora os pássaros cantam me convidando a caminhar a ler a vida como ela é. Que biblioteca mais rica e desordenada que é a vida! Uau! E minha biblioteca continuará sempre desorganizada como a vida. Amém!

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