sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O corpo fala?

Lúcio Packter
Pensador da Filosofia Clínica


Em uma palestra que realizei na Faculdade de Goiatuba, em Goiás, para professores e alunos de Enfermagem, tratamos de alguns aspectos sobre o corpo, tal qual o entendemos pelas dimensões médicas; cabeça, tronco, membros.

O corpo, em seus ritmos, desejos, necessidades, propensões, e uma série de elementos, pode estar ligado preponderantemente à sociedade dos homens. Neste caso, pode ter como espelho o que esta sociedade lhe diz para ser e estar.

Alguns corpos aprenderam as regras sociais e coerentemente mostram o que a sociedade quer que mostre. O corpo pede, adoece, envelhece e morre muitas vezes programado por um relógio social ao qual segue com a sabedoria da obediência. Em tais casos, desentendimentos entre o que o corpo vive e as emoções, as buscas, os valores da pessoa costumam ocorrer.

Mas há corpos cujos vínculos profundos dizem respeito aos pensamentos, muito mais do que elementos sociais que lhes possam afetar. As coincidências podem ocorrer quando, por exemplo, o pensamento é paralelo à sociedade. Há pessoas que quando pensam elementos agradáveis a elas o corpo imediatamente acusa um bem estar similar.

Além de sociedade e de pensamentos, quando no consultório me deparo com questões que têm como orientação e base o corpo, é frequente chegar a outras relações. Há corpos cujas interseções determinantes ocorrem com as emoções, com as aprendizagens, com espiritualidade e assim por diante.

De templo a lata de lixo, de servo a senhor, de mesclas indistintas a exatidões cartoriais, o corpo pode tornar-se desde celestial até rochoso. E nestas variâncias é oportuno que consideremos as propriedades rochosas dos elementos celestiais.

Se vamos trabalhar em áreas como medicina, enfermagem fisioterapia, e outras, imagino que pode ser de grande relevância estudarmos estes aspectos. Para muitas pessoas o corpo é um elemento importante. Pesquisar o que ele é na pessoa, suas funções, relações, existência pode nos auxiliar a descobrir maneiras de tratar, de lidar, de viver com e no corpo.

O corpo fala? Em algumas ocasiões ele nem sequer sabe o que se passa, em algumas ocasiões ele discute, foge, briga, contesta, aceita; em algumas, não existe. Mesmo quando fala, ele pode estar enganado, pode interpretar erroneamente um dado. E há casos curiosamente peculiares, como quando o corpo se comporta como alma ou se transforma em outra coisa que não é corpo.

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