quarta-feira, 27 de outubro de 2010

S @ b e d o r i @

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Estamos na era da informação. Ao menos é o que dizem. Em termos práticos, o que isto significa? Temos a possibilidade de saber tudo sobre tudo e sobre todos. O homem sempre quis estar no controle e para isto precisava de informações. O máximo possível. Quanto mais dados, mais poder.

Melhor ainda se estes dados fossem obtidos de forma automática e instantânea. Isto se tornou possível graças ao desenvolvimento de uma ciência, a informática, que estuda o processamento automático da informação através dos computadores.

Na sequência surgiu a internet, um aglomerado mundial de computadores interligados em rede, que permite o acesso às informações e a transferência de dados, transformando-se rapidamente em uma ferramenta de busca. Basta você digitar uma ou mais palavras chave, e em alguns segundos terá a sua disposição um infinito de informações. A internet virou um hábito e praticamente acabou com as fronteiras físicas.

Na verdade, estamos mesmo é na era do acesso à informação. Qualquer indivíduo minimamente alfabetizado, pagando cinco reais pode locar um computador por 30 minutos, navegar por todos os continentes e buscar informações. A informação está ali disponível, aliás, sempre esteve; nós é que não sabíamos como acessá-la. Agora conseguimos. Desenvolvemos as ferramentas, mas ainda não sabemos direito o que fazer com elas...

Acontece que “dados”, referências e até mesmo informações isoladas não tem valor e não dão poder a ninguém. O somatório das informações adquiridas gera o conhecimento, que vai servir de base para aquilo que chamamos de cultura. E o conhecimento está sendo acumulado via livros, computadores e aulas teóricas, sem que as pessoas sequer compreendam ou tenham vivenciado uma experiência prática.

Informações são buscadas, lidas instantaneamente, arquivadas em pastas específicas e eventualmente utilizadas sem critério algum. Relacionamentos virtuais estão se tornando mais excitantes que a vida real. Surge agora uma geração de indivíduos super cultos em assuntos específicos, viciados na internet, aprisionados a um computador e com dificuldades de sair para a rua. A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído (Confúcio).

Falta-nos ainda o mais importante: Sabedoria. Para adquirir conhecimento é preciso estudo, mas para adquirir sabedoria é preciso algo mais. Como disse Marcel Proust “a sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós”.

Navegar na internet é preciso, mas viver também é preciso. Sabedoria nem sempre é raciocinar. Sabedoria é simplificar ao invés de acumular. Sabedoria é sentir, ponderar, ousar, respeitar, amar. Sabedoria é viver sem complicar.

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