segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Categoria Tempo na Filosofia Clínica

Marta Claus Magalhães
Filósofa Clínica
Uberlândia/MG


Estamos sempre estudando as categorias em filosofia clínica. Sabemos quais são e que servem para localizar existencialmente o partilhante. Sabemos que é um estudo entre o tempo subjetivo e o tempo cronológico do partilhante. Sabemos se ele vive o tempo presente, passado, futuro, se usa a voz ativa, passiva e em qual tempo verbal é sua narrativa.

Ao sabermos isso também, se supõe que saberemos avaliar o nosso tempo. Avaliarmos nosso tempo enquanto filósofos clínicos, estudantes, professores, estagiários, enfim, em qualquer situação ou papel existencial que estejamos vivenciando. Mas, e a categoria tempo da filosofia clínica, como avaliá-la?

É, a filosofia clínica também tem seu tempo subjetivo e cronológico. Eu não sabia, mas descobri que tem. Por isso gostaria de compartilhar isso com vocês e trocar idéias. Tecendo elucubrações sobre a categoria tempo da filosofia clínica poderíamos dizer que esta está atrelada ao tempo do partilhante.

Será? Bom, assim seria rapidinho e isso não é característica da filosofia clínica, é? Não, não é.

Vejamos os procedimentos: assunto imediato, exames categoriais, montagem da EP, autogenia, análise da estrutura, identificação de submodos, planejamento clínico e aplicação de submodos. Gente, isso tudo leva tempo, tempo de relógio, tempo cronológico. Ou seja, a filosofia clínica em si mesma tem seu próprio tempo. Ela, tanto quanto nossos partilhantes e nós mesmos, tem sua singularidade existencial.

Seu tempo cronológico, além de estar em relação ao tempo do filósofo clínico e do partilhante, é um tempo subjetivamente lento. Tem seu tempo de maturação. Para nos tornarmos filósofos clínicos temos que, além de respeitar nosso tempo e o tempo do partilhante, respeitar também o tempo da filosofia clínica.

Ou seja, respeitar o passo a passo da metodologia nos atendimentos, nas orientações, no processo de elaboração do relatório, no processo espera da avaliação, no processo de construção de nosso ser terapeuta. Isso leva tempo.

A cronologia da filosofia clínica não é a do relógio nem a do calendário. É algo mais que o tempo corrente, é a percepção da proposta de ajudar ao outro, a percepção do respeito ao outro como ser humano, a percepção de que é mais que apenas uma profissão, é uma postura de vida. É perceber que seu tempo (o da filosofia clinica) passa e que não temos pressa, pois como filósofos clínicos, sempre em construção, saberemos respeitar seu tempo subjetivo.

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