sexta-feira, 19 de novembro de 2010

De volta ao corpo

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG

E a vida continua....depois de múltiplas perdas.
Lendo as Confissões de Agostinho e refletindo com o grupo de psicofilosofia e bioenergia sobre a questão do mal e do lugar do corpo na filosofia, na teologia, na psicologia, enfim, na vida, surgem várias questões.

Qual o lugar do corpo na vida contemporânea, que apesar de falar tanto dele, o continua negando?
Merleau-Ponty com " A fenomenologia da percepção" nos convida a pensar o corpo de uma forma diferente do que se pensava até então. (Se é que se pode pensar o corpo!)

Pensar o corpo próprio, como ele diria pode ser recolocar a essência na existência, na relação corpo-próprio-mundo.
Enquanto para Agostnho o corpo é negado, para Merleau-Ponty o corpo é o fenômeno primordial., como experiência vivida no agora do existir.

" Eu sou não um "ser vivo" ou mesmo um "homem" ou mesmo "uma consciência", com todos os caracteres que a zoologia, a anatomia social ou a psicologia indutiva reconhecem a esses produtos da natureza ou da história - eu sou a fonte absoluta; minha experiência nāo provém de meus antecedentes, de meu ambiente físico e social, ela caminha em direçäo a eles e os sustenta, pois eu sou quem faz ser para mim (e portanto ser no único sentido que a palavra possa ter para mim) essa tradição que escolho retomar, ou este horizonte cuja distância em relaçāo a mim desmoronaria, visto que ela nāo lhe pertence como uma propriedade, se eu não estivesse lá para percorrê-la com o olhar". Merleaux-Ponty

" Buscar a essência do mundo não é buscar aquilo que é em idéia (...) é buscar aquilo que de fato é para nós antes de qualquer tematização". Continua o autor.
Então, corpo negado...ou corpo em processo...?
Importa sim meu corpo que agora pensa, fala, percepciona,relaciona....Meu corpo aqui parte do mundo.

Corpo que pode romper com imagens forjadas por um sistema que o transformou em simples objeto de uso, controle, exploração, ilusão... Corpo que pode e sabe envelhecer. Corpo que pode ter sua própria forma. Corpo que pode amar e odiar sem culpa.

Corpo livre para ser e não ser conforme sua própria natureza, sem os "tem que" imposto pela mídia. Corpo vivo que não tem definições, nem explicações. Nem demoníaco, nem anjo, apenas o corpo presença no existir e ser sem mais delongas. Que goza e chora. Que nasce e morre. Corpo meu, seu nosso, amém!

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