segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A vida é um jogo de dados.

Miguel Angelo Caruzo
Filósofo Clínico
Teresópolis-RJ

Na estrutura de pensamento o primeiro tópico é “Como o mundo me parece”.

Não se trata de primeiro por ordem de importância, é apenas uma numeração aleatória, e sua importância é encontrada na exposição do partilhante. Trata-se da descrição fenomenológica do mundo como parece para a pessoa. O que acha e pensa a respeito do mundo que a cerca.

Início da conversa com alguém de lugar qualquer...

A vida é para mim como um jogo de dados. Não há um Deus que me ajuda ou me puna por qualquer coisa que faça ou pense. Muito menos um que me ame. Pois quem ama participa.

Se eu me machuco, não digo que foi Deus quem permitiu para que eu tire um aprendizado maior, ou que está me punindo. Apenas trato de me curar e continuo a vida. Se eu me dou bem em algo, não acredito que foi Deus quem me beneficiou. Muitas pessoas no mundo invocam Deus e continuam sofrendo. Pessoas que precisam muito mais de atenção do que eu.

Tanto as coisas boas ou ruins eu as tomo como parte da vida.

O jogo de dados da vida, não é tão simples como um dado comum. O dado da vida tem mais de seis lados. A vida se multiplica em milhares de possibilidades.

Cada vez que se toma uma decisão, tudo pode acontecer. E o dado da vida não tem como o número mínimo o um. Além do um ele tem, na verdade o zero, quando tudo fica na mesma, e o menos um, que equivale à perda. Este acontece muitas vezes, inevitavelmente.

Pensar que Deus mandou ou permitiu uma situação ruim ou boa e tirar desse fato algo positivo ou algum ensinamento é um modo de agir. Eu ajo aprendendo, sem atribuir nada a Ele.

Se existe, Deus não passa de um Motor Imóvel aristotélico ou o acionador do Big Bang. Tudo o que passa disso é especulação.

Para cada pessoa há uma experiência de Deus, uma definição do que seja essa entidade superior. No entanto, ele não influi em nada. O sol nasce para todos, assim como a chuva. A vida é um jogo de dados, no qual tudo pode acontecer. E mesmo assim há quem atribua a vitória à sorte, e a perda ao azar. Como são ingênuas as pessoas. Não passam de buscadoras de interpretação consoladora.

Diante da vida a melhor coisa é não atribuir nada a Deus. Diante das expectativas, a esperança costuma decepcionar. Mas quem atribui tudo a Deus, sempre quer dar outra explicação para não dar o braço a torcer e aceitar que sua esperança foi em vão. Mas, foi em vão sim.

A melhor atitude na vida é jogar o dado sem esperar por nada. Se vier algo bom, comemoramos. Se os resultados não forem animadores, como não esperávamos por nada, recomeçamos e partimos para outra. A vida é assim. É assim para mim.

Aqui termina uma conversa com alguém de lugar qualquer...

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