quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Carta de Nova Veneza/SC


Aos 26, 27 e 28 de novembro do ano de 2010, reuniram-se no Instituto Sagrada Família filósofos Clínicos de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul para o IX Encontro Sul Catarinense de Filosofia Clínica, com a temática “Filosofia Clínica na Prática”.

A abertura do evento se deu às 20 horas do dia 26, com a apresentação do encontro pelo Diretor do Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica, logo após a diretora do Instituto Sagrada Família apresentou a casa aos filósofos. Também participaram do cerimonial de abertura a secretaria de cultura do município de Nova Veneza, com a apresentação do Carnaval de Veneza e a apresentação do município.

Dada a abertura do evento, inicia-se a primeira palestra do encontro com a temática “Filosofia Clínica e Religiosidade”, ministrada por Lúcio Packter, idealizador e criador da Filosofia Clínica.

Na palestra Packter mostrou as possibilidades da formação da religiosidade dentro da historicidade de cada pessoa, abordando possibilidades de religiosidade baseadas na singularidade.

No seguimento dos trabalhos, tivemos o debate coordenado por Mariza Niederauer. À respeito do assunto, estabelecemos as conversações entre o tema Filosofia Clínica e Religiosidade e os conteúdos trazidos pelos questionamentos de cada um dos participantes do encontro. Lembrando que a religiosidade se mostra para cada um de maneira ímpar, levando em conta sua historicidade, abandonando o certo e o errado, o bom e mau. Mas construindo um conceito novo, onde cada indivíduo tem a possibilidade de desenvolver seus conteúdos.

No dia 27, sábado, o palestrante Hélio Strassburger trabalhou o tema “Apontamentos sobre a singularidade e a lógica dos excessos”, trazendo a colaboração do trabalho em hospitais psiquiátricos.

Em sua palestra, o Professor Hélio apresentou a idéia de que temos outros tipos de lógica, ainda distante do que chamamos lógica, ou seja, um raciocínio bem estruturado. Destaca também que o trabalho de um filósofo clínico é um trabalho de imersão, necessita que o terapeuta vá ao mundo do outro com fundamento e método.

Dando seguimento ao tema o debate foi coordenado por Bruno Packter, colocando as questões dos presentes, as possibilidades de trabalho com pessoas ‘desestruturadas’.

No período da tarde abrimos com a palestra de Darcy Nichetti, com a temática Filosofia Clínica nas Empresas, trazendo as colaborações de uma experiência desenvolvida pelo centro de Curitiba, Paraná.

Em suas colocações Darcy aponta para as possibilidades metodológicas da construção de uma ferramenta de consultoria empresarial baseada na Filosofia Clínica. Com base em sua experiência e nas perguntas do grupo, coordenado pela filósofa Nichele, o palestrante mostrou os resultados positivos do trabalho que pode ser feito com a Filosofia Clínica dentro do ambiente organizacional.

No seguimento dos trabalhos a temática da palestra foi Filosofia Clínica e Educação, trabalhada pelas colegas do centro de Chapecó. Os trabalhos ocorreram com o estudo prático da obra de Monica Aiub, Filosofia Clínica e Educação: A atuação do filósofo no cotidiano escolar. Sua proposta é construir, a partir da Filosofia Clínica, ferramentas de apoio no desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem e na melhoria das interseções.

O próximo trabalho foi apresentado pelo filósofo clínico Bruno Packter, com o tema Historicidade e Filosofia Clínica. Na exposição e conversações com os colegas a historicidade foi trabalhada como possibilidade no tratamento das interseções. Sendo que, ao conhecer cada indivíduo através da historicidade, o filósofo clínico tem objetividade para trabalhar com os conteúdos envolvidos.

Na noite do dia 27 o palestrante Beto Colombo apresentou e desenvolveu com o grupo o trabalho Filosofia Clínica e Música. Contando a historicidade da música e apresentando os agendamentos advindos da experiência individual ligados à música.

Como exercício de grupo os filósofos elaboraram a Estrutura de Pensamento da música Ando Devagar de Almir Sater e Renato Teixeira.

Na manhã de domingo, dia 28, os colegas iniciaram a manhã com uma caminhada para conhecer as belezas de Nova Veneza, visitando as casas de pedra, um dos pontos turísticos da região.

No retorno ao Instituto Sagrada Família os colegas apresentaram os centros do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com suas peculiaridades e desafios.

Para fechar o IX Encontro Sul Brasileiro de Filosofia Clínica Lúcio Packter apresenta o tema Filosofia Clínica: a situação atual no Brasil e no mundo. Em sua fala Packter apresentou um pouco da história da Filosofia Clínica desde sua origem até os dias atuais.

A cada encontro os filósofos se reúnem para trocar experiências e renovar os ânimos num trabalho ético e construído através do outro. No IX Encontro Sul Brasileiro não foi diferente, os filósofos foram acolhidos na busca da construção de uma interseção fundada no interesse comum pela Filosofia Clínica.

Nesses encontros os colegas tem a oportunidade de se colocar de maneira singular, apresentando suas tristezas e alegrias do trabalho de filósofo clínico.

Nas palavras de cada um dos palestrantes tivemos a oportunidade de aprender um pouco mais sobre filosofia clínica. fomos advertidos sobre os erros que se pode cometer quando falta a fundamentação teórica e o retorno às bases. Também nos advertiram de que é necessário cuidar dos cuidadores.

Para oportunizar além dos momentos de reflexão baseados nos estudos e experiências individuais o encontro teve momentos de descontração. Onde puderam cantar, dançar, conversar e conhecer colegas de outros lugares do país.

Assim como os filósofos de outrora, nos reunimos, debatemos e crescemos no conhecimento da Filosofia Clínica. Assim como Platão no Banquete e outros filósofos favoráveis à uma boa reflexão e diversão, nos reunimos, refletimos e bebemos a Filosofia.

Nova Veneza/SC, 28 de novembro de 2010

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