segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Liberdade? Como assim!!!?


Floriza Maria Neves Veras
Filósofa Clínica
Teresina/PI


Existe algo mais controverso na nossa contemporaneidade do que o exercício da liberdade?

A primeira das dúvidas: Sou livre? A seguir inúmeras delas: Livre em relação a quê? Livre em relação a quem? Qual o meu parâmetro de liberdade? Eu fui livre para escolhê-lo? Como eu o reconheci para poder escolhê-lo? O que o outro faz dentro do meu conceito de liberdade?

Quem o colocou ali? (a pergunta é porque, segundo consta, o outro além de fazer parte dela também é minha responsabilidade) Quem disse que eu quero ou devo ser livre? Isso é bom ou é mau? É fácil ser livre? Quem julga a justeza de minha liberdade? Ah! Aonde me leva essa liberdade? Será ela um fim ou um meio? Para quem? Será ela finita como eu? (se minha liberdade interfere e gera desdobramentos no outro, isso pode extrapolar minha finitude). Eu responsável pela liberdade do outro? Será o outro também livre?

Minha mente fervilha de tantos questionamentos. Imagine só, até agora só falei da minha liberdade. O outro me fez lembrar que ser livre, significa conviver, interagir, ingerir, interferir, interceder com meus semelhantes. À expressão semelhante me ocorreram “n” interrogações, inquietações, reconhecimento de que, todas estas, conscientes ou não, habitam a mente de cada ser humano que busca, no decorrer desta rápida passagem, a qual denominamos de vida, a felicidade.

Felicidade, outro termo que nos remeteria a inúmeras outras indagações, e de novo nos encontraríamos imbricados na relação “eu e o outro”, porque é sabido que a felicidade é intima da liberdade.

Com o surgimento da filosofia a mente humana se liberta da dependência de deuses voluntariosos e por vezes mau-humorados que, sem regras e valendo-se de uma liberdade/poder absolutos, demonstravam seu poder através de artifícios que pudessem testemunhar sua força. Sob esta ótica todo o cosmo estava ao alcance de suas vontades e ao tiranizá-los encontravam nos humanos o alvo de suas ações, dado que estes pela crença se deixavam dominar.

O que esta independência representou para o ser humano? O termo LIBERDADE foi entendido e usado de maneiras muito diversas e em contextos diferentes desde os tempos dos antigos gregos até os tempos atuais.

No viés histórico filosófico sou livre, pelo menos minha mente possui todos os atributos para exercer a liberdade de “ser humano”. Se na minha singularidade sou livre e tenho os pressupostos para sê-lo, por que sequer conseguimos definir liberdade? Encaminhemos as seguintes considerações: sou livre na minha individualidade, mas só o sou porque sou humano.

É clássico o saber que o homem só desenvolve sua humanidade na interação com os outros humanos. Dado como certa esta premissa, é obrigatório o reconhecimento de um imbrincamento entre o meu agir e o do outro. Logo, podemos dizer: quando exerço minha liberdade o faço dentro de uma circunstancia que envolve outros, que concomitantemente estão a exercê-la a partir de suas circunstancias.

Na realidade de cada um é tecida, no intelecto, a percepção do outro, que alcança e é alcançada pelos fios da rede existencial. É desse amálgama que se constroem os parâmetros do agir e cuja mensuração é feita pelos seus componentes, voz tutorial que define, enfim, o nosso agir.

É lógica a conclusão de que o lugar do outro é indispensável na realização da nossa liberdade. Nossa, porque minha é só a liberdade intelectiva pois, quanto ao exercê-la, projeta-se em nós a perspectiva de pertença, que nos leva a desejar a legitimação perante o grupo de nossa influência.

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