sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SER FELIZ APENAS JÁ NÃO ME BASTA.

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS


Há dois anos escrevi o “Parabéns a Você”, um livro sobre a busca da felicidade. Na época foi classificado e distribuído nas livrarias como auto-ajuda, fato que de inicio me deixou incomodado, já que este tipo de literatura sofre com o preconceito de ser redigido por e para pessoas menos intelectualizadas.

Deveria isto abalar minha felicidade? Justo eu que tinha escrito um livro sobre o assunto iria me perturbar e deixar que uma classificação teórica atrapalhasse minha felicidade?

Confesso que preferiria estar incluído na seleta categoria dos filósofos, intelectuais e pensadores. Best-seller também serviria, porém isto não foi razão suficientemente forte para diminuir o prazer e a felicidade que pegam carona quando finalmente se conclui um livro e se passa a curtir o lançamento.

Além do mais, naquelas alturas, depois de tanto estudar, pesquisar e refletir é claro que o livro foi de auto-ajuda, para mim obviamente. Como a própria palavra diz, ao mesmo tempo em que escrevia o livro, estava me ajudando a compreender os porquês da felicidade e de sua ausência.

Todos os livros têm, em maior ou menor grau, uma parcela de auto-ajuda. Não consigo imaginar um autor que não passe um pouco de sua experiência, conhecimento e até mesmo sonhos no que escreve e que isto não venha a lhe trazer algum tipo de retorno.

Acontece que escrever um livro só para se auto ajudar é um desperdício. Tanto a auto-ajuda como a felicidade não são completas isoladamente. É preciso dividi-las para que se multipliquem. Guardar para si o conhecimento ou tentar ser feliz sozinho são atitudes e sentimentos que fazem com que a proposta inicial se enclausure e perca o sentido.

Publicar um livro com o intuito de ajudar de alguma forma o leitor é o objetivo primordial de todo escritor. Sua gratificação está na critica, no elogio, no reconhecimento, na mudança de paradigma, no crescimento pessoal da comunidade e também no aprendizado que a retro-alimentação dos leitores lhe possibilitará.

A auto-ajuda do escritor não é a meta. É o bônus. Assim sendo, em última análise, qual o objetivo de um livro? Fornecer, informar, educar, ajudar o leitor. Ajuda e auto-ajuda.

Com a felicidade também aconteceu fenômeno semelhante.

Ser feliz apenas já não me basta. É muito pouco, ficou pequeno demais. Desfrutar felicidade sem produzi-la não tem a menor graça. Quando contribuo, seja lá de que jeito for, para tornar feliz a vida dos que me rodeiam, a felicidade deles se reflete e retorna para mim, e isto é o meu maior orgulho: saber que quem me ama é feliz.

FELIZ 2011!!!!!

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