segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Viajando com Paul

Beto Colombo
Filósofo Clínico
Criciúma/SC


Temos uma expressão muito comum por aqui: “Viajou, foi pro espaço”. Foi o que aconteceu comigo nessa segunda-feira no Show de Paul McCartney. Na Filosofia Clínica chamamos isso de deslocamento longo.

Eu costumo usar esse sub-modo como um auto procedimento quando estou naqueles lugares onde não me identifico: nas esperas de vôos em aeroportos, em viagens internacionais onde preciso dormir sentado numa poltrona de avião e em muitos outros casos... ao contrário nesse caso na categoria lugar do que me aconteceu no Morumbi no show.

Quando Paul e sua banda tocou “Hey Jude” o Morumbi inteiro, como num transe coletivo, num coro afinado, acompanhava com harmonia a melodia e com entusiasmo pronunciava cada palavra da letra da música.

Eu fechei meus olhos e em êxtase me desloquei para um mundo melhor, sem violência, sem compromissos, sem correrias, sem tristezas, sem dor e ali fiquei ouvindo Paul dizendo: “ Ei Jude não carregue o peso do mundo sobre seus ombros”.

Era para mim, era para todos nós que ele dizia “pare de chorar, pois a vida é bela” e só fui acordar de meu transe no “lara la la lara la la...” Quando abri meus olhos, ao meu lado estavam chorando desde jovens de 60 anos a adolescentes de 14, homens, mulheres, avós e netinhas abraçadas chorando. Impressionante, emocionante, extasiante... Que coisa.

Ouvir canções como “A Day in the life”, “Let it be”, “Blackbird”, “All my loving” na voz de quem fez e deu vida a isso, é um sonho realizado. Já plantei minha árvore, escrevi meus livros, tive meus filhos e agora assisti um show de Paul, um ex Beatles, essa também era uma de minhas buscas.

Acompanho Paul McCartney desde que ele sonhou, levantou, escreveu e deu vida àquela que para mim foi a canção que mudou a vida da banda dos quatros garotos de Liverpool e também a história da música no planeta, estou falando da música “Yesterday”.

Para Lindolf Bell, poeta catarinense que diz: “menor que seu sonho você não pode ser” - lembrando que isso era sim para Lindolf Bell - advertindo que para cada um pode ser diferente.

No caso de Paul McCartney, ele sonha, acorda, põe no papel, vira um projeto, grava, isso é, põe em prática, ou seja, tira do papel, não fica só no sonho, na intenção. É como no dizer de Amyr Klink “um dia temos que deixar de sonhar e partir”, se para alguns o sonho é o prenúncio da realidade, aqui temos um exemplo, uma prática.

Paul se preparou para fazer esses shows no Brasil. Ele aprendeu um bom vocabulário em português e usou para interagir com a plateia.

O show durou mais de três horas e ele dançou, pulou, cantou, gritou todo o tempo em que esteve no palco como um garoto de 18 anos. Em muitos momentos eu me deslocava para Liverpool, lá no Cavern Club onde tudo começou, tamanha a vitalidade desse jovem de 68 anos. De novo: ele se preparou para o trabalho. E nós nos preparamos para nossos afazeres?

Ele homenageou seu amigo e companheiro de tantas composições John Lennon,(Lennon e McCartney a dupla de todos os tempos) se emocionou quando afirmou que escreveu “My Love” para seu grande amor ou sua gatinha, como ele disse em português, “essa música é para minha gatinha Linda McCartney”, homenageou seu amigo George Harrison com a música da composição do amigo “Something”, foi emocionante esse momento.

Com uma produção como nunca havia visto antes, uma banda de quatro cinquentões que fazem por merecer estar no palco com ele. Ele se superou, ele se reinventou.

Inesquecíveis, emocionantes, contagiantes e maravilhosos momentos que vivi e que me acompanharão pela minha existência.Ainda estou atônico. Muito agradecido, queria dividir com vocês, espero ter repassado um pouco do que vi e senti.

Estamos juntos

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