segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Assim é para mim!

Miguel Ângelo Caruso
Filósofo Clínico
Teresópolis – RJ


Quando é lida essa afirmação, talvez a primeira ideia é de que o texto não deve ter crédito, pois não se valeu de nenhuma autoridade nem de nenhum peso argumentativo que buscasse a universalização do discurso.

No entanto, essa é uma afirmação tão filosófica quanto qualquer outra. A diferença é que na literatura da Filosofia Clínica ela se torna mais explícita pela sua proposta.

Os filósofos ao longo de toda história do pensamento refletiram a partir de sua história pessoal, seu contexto e suas influências. Todas as ideias apresentadas foram originadas de uma subjetividade.

Sabiamente a filósofa Márcia Tiburi, em uma palestra no programa Sempre Um Papo, disse que não sabe se realmente entendeu os filósofos que leu. Não se trata de ironia socrática, mas da sinceridade filosófica.

As obras filosóficas são compreendidas por quem as lê a partir de seu contexto atual. Nunca será possível saber se todas as interpretações do que Aristóteles escreveu, são de fato tal como ele pensou.

Jean-Paul Sartre disse em uma entrevista que um de seus textos mais difundidos, “O existencialismo é um humanismo” foi interpretado de maneira errada. Ou seja, o que ele expôs não foi compreendido como ele queria.

Assim, acredito, são os desdobramentos de todo pensamento filosófico. E mais, em Filosofia Clínica, Lúcio Packter fez questão de que os exames categoriais fossem bem feitos para que a aproximação com o que é exposto pelo partilhante, fosse compreendido pelo filósofo do modo mais próximo possível do significado original.

O próprio Lúcio ao afirmar que “isso é assim para mim”, abre a Filosofia Clínica para posteriores desenvolvimentos. A Filosofia Clínica é exposta de modo a nunca ser dogmática.

É um ramo da filosofia que recebeu diversas significações de seus estudos das mais diversas tradições filosóficas, desde Aristóteles a Wittgenstein. Como Packter afirma em um dos cadernos: talvez os filósofos dos quais foram tiradas as bases teóricas da prática clínica, nunca concordariam.

Assim é a riqueza da Filosofia Clínica! Assim é para mim!

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