terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ciúme e liberdade

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG


Coração, algema, ciume, prisão liberdade

Quem nunca sentiu aquele aperto no peito e medo de perder um afeto?
Uns dizem que ciúme significa amar, gostar e cuidar. Será?
Outros dizem que ciúme é doença, neurose e precisa ser tratado.

O que penso eu?
Nesses meus quase sessenta anos, trinta como psicoterapeuta e cada vez mais livres de definições e rótulos para o comportamento humano, vou tentar refletir sobre esta emoção muitas vezes avassaladora.

Num mundo que convida cada vez mais a competição e a comparação, a insegurança pode operar trazendo angústia e medo da perda da atenção de quem se ama.

Viver na expectativa, na ansiedade de controle e dominação faz com que o ciúme tome conta.
Por que temos que possuir o outro como se fosse uma coisa, como se fosse objeto de nossos desejos?

Se pararmos um pouco e pensarmos no prazer da liberdade, com certeza respeitaremos o outro que amamos e deixaremos a liberdade vencer a posse do controle que o ciúme traz.

Amar é ver o outro feliz, fazendo o que gosta e como gosta.
Quem verdadeiramente ama liberta, evita controlar e dominar.

Será fácil amar em liberdade?
Quanto mais se tomar consciência que a liberdade é o elemento fundamental para qualquer relação fluir em harmonia, mais o ciúme vai sendo banido.

Não tem complicação, apenas reflexão. Afinal somos inteligentes e capazes de agir conscientemente.
Podemos escolher ser ou não ser.

Pensar, escolher, treinar com vontade determinada e agir assertivamente.
O inconsciente? Quem pensa bem acende a luz da consciência e vence os maiores comportamentos.

Filosofar é preciso, pois quem pensa bem, consegue se libertar das prisões que o ciúme cria.
Que tal sair de si mesmo e acolher o outro livremente. É possível!

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