sábado, 1 de janeiro de 2011

Fragmentos filosóficos delirantes VIII*

"Mesmo que não se compartilhem totalmente as afirmações de um sujeito delirante genial, não se pode colonizar o delírio, sobrepondo-lhe uma racionalidade estranha. É necessário deixá-lo falar o mais possível em sua própria língua."

"No decorrer da existência, cada indivíduo experimenta, então, diferentes versões de si mesmo, que incluem trechos não traduzidos na linguagem das camadas seguintes."

"O sujeito delirante é incoerente e absurdo somente em relação ao mundo compartilhado, porque é muito coerente e razoável na ótica do mundo 'substituto'."

"(...) mais do que um defeito ou uma ausência, encontra-se no delírio uma plenitude excessiva, um transbordmaento. Erra-se ou, nesse caso, fica-se 'extravagante' (saindo-se da leira, do sulco), porque não foi devidamente reconhecida uma verdade que, à sua maneira, consegue afirmar-se."

"O delírio é tão perturbador e temido precisamente porque ameaça e coloca, escandalosamente, em discussão o mundo de cada um, com sua presumida obviedade."

* Remo Bodei

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