domingo, 9 de janeiro de 2011

Fragmentos filosóficos delirantes XI*

"Ah! Toda a nossa vida anda a quimera/ Tecendo em frágeis dedos frágeis rendas.../ - Nunca se encontra Aquele que se espera!..."

"E este amor que assim me vai fugindo/ é igual a outro amor que vai surgindo,/ Que há de partir também... nem eu sei quando..."

"Amo as pedras, os astros e o luar/ Que beija as ervas do atalho escuro,/ Amo as águas de anil e o doce olhar/ Dos animais, divinamente puro"

"A mocidade esplêndida, vibrante,/ Ardente, extraordinária, audaciosa,/ Que vê num cardo a folha duma rosa,/ Na gota de água o brilho dum diamante;"

"Ama-me doida, estonteadoramente,/ Ó meu Amor! que o coração da gente/ É tão pequeno... e a vida, água a fugir..."

"Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem/ Quem sou?! Um fogo-fátuo, uma miragem.../Sou um reflexo... um canto de paisagem/ Ou apenas cenário! Um vaivém..."

"Minh'alma ardente é uma fogueira acessa,/ é um brasido enorme a crepitar!/ Ânsia de procurar sem encontrar/ A chama onde queimar uma incerteza!"

"Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas.../ Enigmáticas campas medievais.../ Jardins de Espanha... catedrais eternas..."

* Florbela Espanca

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