sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fragmentos filosóficos delirantes XVIII*

"Quanto maior o pintor, mais nos faz trabalhar. A obra que ele nos propõe sugere mais do que especifica. Desafia nossa visão, obriga-nos a completar os traços, a preencher cores. Está aberta; muda enquanto estamos olhando."

"O indefinível era melhor do que o específico, ainda que exótico. Buñel, além disso, sonhava em introduzir sorrateiramente algumas informações falsas em todos os seus filmes, como que para minar e desviar ligeiramente o rumo da história e da geografia; a verdade fiel o aborrecia tanto quanto um espartilho apertado."

"Por ter muito para ver, nossos olhos, com freqüência, não conseguem ver mais coisa alguma."

"O autor é duplo, triplo, às vezes múltiplo. Em vez de separar e compartimentalizar, está fundindo diferentes níveis. Ele é ao mesmo tempo consciência e inconsciência, determinação e aleatoriedade. Ele é um movimento incessante, que pode até parecer anormal e gratuito, é uma busca."

"É por isso que a realidade não é suficiente. O imaginário precisa introduzir-se na realidade, desfigurá-la, intensificá-la."

*Jean-Claude Carrière

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