domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fragmentos filosóficos delirantes XXI*

"O estilo é o modo de formar, pessoal, irrepetível, característico; a marca reconhecível que a pessoa deixa de si na obra; e coincide com o modo como a obra é formada. A pessoa forma-se, portanto, na obra: compreender a obra é possuir a pessoa do criador feita objeto físico."

"Para aquém da ciência está a atitude do primitivo, para quem as distinções não existem e o mundo é um 'continuum' de eventos associados de forma mágica."

"(...) na experiência da beleza a alma humana tem a sensação daquilo que a supera, o apelo tangível do além, e na melancolia que sobrevém o testemunho de uma natureza exilada no imperfeito, aspirando ao infinito apenas revelado."

"(...) enquanto o alegorismo clássico apresentava para cada figura um referente absolutamente preciso, o simbolismo é simbolismo 'aberto', justamente porque quer ser, antes do mais, comunicação do indefinido ou do ambíguo, do polivalente."

"Quando Miguel Ângelo dizia que a estátua já estava no bloco de mármore, queria simplesmente dizer que fazer a estátua não consistia apenas em dar marteladas na pedra, mas em compreender as possibilidades contidas no material."

"(...) estava a despontar uma nova idéia de arte; deixando entender que a arte se situa para além destas transformações históricas e morre continuamente para assumir novas formas."

* Umberto Eco

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