sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Vida Poesia – Inspiração

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG


Nossa! Fiquei emocionada com o texto de José Castelo, no Prosa & Verso do jornal 'O Globo': O poeta do nada.

Respirei fundo ao ler:
“O poema é mensagem que o poeta envia a si mesmo a respeito de algo que desconhece. Ele lacra em um envelope- o poema. Quando chega ao leitor, a mensagem também continua indecifrável; por mais que tente, ele não consegue abri-la. Tudo o que lhe resta são palavras. Ler um poema é tentar rasgar um envelope inviolável.
Os poemas escrevem no escuro, mas alguns, além disso, escrevem de olhos vendados. Lacrados em si mesmos, recusam-se a ver. A escrita se torna, então, a luta para inventar um sexto sentido, que substitua a visão mutilada. Eis o que chamam de poesia”

Meu lado muitas vezes poeta, então, desliza:

O desconhecido em mim,
São os gritos da alma
Ou da sombra, que
Esperam ser ouvidos do outro lado,
Nas outras sombras e nas outras almas.
O poema guarda segredos a serem
Desvelados para além de mim.
Lacrado nas interrogações e mil interpretações
Ri e chora, silencia.
Abrir o poema é dessacralizar o mistério.
Resta-nos degustá-lo devagarzinho,
Palavra por palavra, respiração por respiração,
O eu e o outro nos tornamos um só, no indecifrável.
A inspiração penetra e se mistura alquimicamente,
No tempo certo.
Na escuridão onde brilham as estrelas,
O poema como cometa,
Rasga o céu da nossa interioridade.
Deixa no ar um encantamento
Mágica que se faz,
No entre linhas da nossa vida.

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