sábado, 5 de março de 2011

Fragmentos filosóficos delirantes XXVI*


"Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar."

"Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã."

"Cuidado por onde andas, que é sobre os meus sonhos que caminhas."

"O problema não é inventar.
É ser inventado hora após hora
E nunca ficar pronta
Nossa edição convincente."

"A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se submetem a diagnóstico. Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura ainda é razoável. Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza da imaginação."

"Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria."

"Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo."

*Carlos Drummond de Andrade

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