terça-feira, 26 de abril de 2011

Desvelando a Subjetividade

Miguel Angelo Caruzo
Filósofo Clínico
Juiz de Fora/MG


Quando nos deparamos com uma pessoa, criamos diversos juízos a seu respeito. E, em determinado momento, ou após longo tempo de convivência, costumamos dizer que a pessoa mostrou o que realmente era, que agora revelou sua identidade. No entanto, o foco deste texto não será as pessoas observadas, mas o observador.

Será que as pessoas escondem tanto o que elas são? Será que o mundo é regido por dissimulação e falsidade? Pode a sociedade ser tão corrompida que a melhor forma de sobreviver é corromper a imagem pessoal diante dela? Suspeito que não.

Às vezes somos nós, os observadores, que tendemos a olhar as pessoas com os nossos “pré-juízos”, nossas concepções e generalizações adquiridas ao longo da vida. Daí, no momento em que o reconhecimento atravessa a superficialidade, o véu é rasgado, e deixamos a visão inicial de lado.

Quando aprofundamos nosso conhecimento acerca da pessoa com a qual nos relacionamos, nos demos conta do que a Filosofia Clínica afirma tanto ao quebrar os paradigmas comumente aceitos em nossos “pré-juízos” de cunho generalista e universalizante.

Somos por vezes movidos a espelhar nossas limitações e carências em pessoas que não carecem das mesmas coisas que nós, daí nós a consideramos felizes. Por exemplo, quando somos carentes de bens materiais e isso tem importância capital em nossa vida, o primeiro movimento ao observar uma pessoa abastada, é considerá-la suprida; como se não faltasse nada para que sua felicidade fosse completa.

Mas, as limitações das pessoas superam a nossa visão subjetiva do mundo. Diversos são os motivos que levam as pessoas a se queixarem. As dores e angústias existenciais superam nossa ilha de concepções e possibilidades. O universo do outro é tão complexo quanto o universo que os cientistas buscam conhecer.

Além das crises reconhecidas e vivenciadas, há também as não explícitas. Pessoas que negam vivenciar problemas ou conflitos, mas quando estão em determinadas situações, expressam de modo até bruto suas dificuldades existenciais. Ou até não expresse por, mesmo que existam, não ter relevância subjetiva na vida dessa pessoa.

Compreender a pessoa em sua complexidade é uma meta tão inalcançável quanto querer compreender a totalidade da vida. Quanto mais aprofundamos no reconhecimento de uma “Estrutura de Pensamento”, mais nos damos conta do que resta conhecer. Se chegamos ao ponto de encontrar conflitos entre tópicos da EP, isso já é muita coisa.

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