segunda-feira, 4 de abril de 2011

Simples assim

Sandra Veroneze
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS


Mais do que o refrão de uma das mais famosas músicas do Cazuza poeta, ‘ideologia, quero uma pra viver’ parece ter se tornado um mantra sagrado ou grito desesperado de muitas pessoas.

Qual é o sentido da vida? Pra que viver? Qual é o verdadeiro significado de tudo isso? Questões como esta acompanham as pessoas todos os dias, colocando pontos de interrogação em acontecimentos, situações, relacionamentos, coisas...

Algumas pessoas encontram sentido para a própria existência no desenvolvimento profissional. Para outras, a família é o centro de tudo. Algumas ainda orbitam sua existência em volta da satisfação dos sentidos, da busca dos prazeres... As opções são tão numerosas quanto são as pessoas vivas neste planeta.

Algumas pessoas, inclusive, fazem da busca de um sentido para a vida o próprio sentido da vida. E nisso não reside novidade alguma. O que seria da filosofia e da história do pensamento da humanidade, não fossem estas inquietações?

Viver simplesmente, para quem anda às voltas de um sentido, pode ser desesperador. Não raro, junto com o sentido, busca-se o método. Um jeito de fazer as coisas, um jeito de transitar pela vida, um jeito de administrar as dores e alegrias, um jeito, um jeito... Um jeito que será o melhor, o mais correto, o que garantirá melhores resultados...

E a vida pode ficar um pouco engessada. Porque existem acontecimentos que simplesmente não se enquadram em nenhuma das caixinhas que conseguimos construir até então e talvez nunca consigamos... Surpresas, imprevistos, etc, vão rareando...

E o que está por trás disso? Necessidade de controle? Insegurança? Falta de confiança na sabedoria da vida? Mais uma vez, respostas como estas são tão numerosas quanto as pessoas vivas neste planeta.

Em se tratando de sentido pra vida, é muito sábio o ditado de que pra cada cabeça, uma sentença. Ponto para aqueles que, ao se inquietar e encontrar respostas (ou não), o fazem por um desejo íntimo, um ímpeto pessoal e intransferível de compreender, se integrar, até transcender cada acontecimento, sem pautar-se pelas convenções, simplesmente porque são convenções...

Viver é bem diferente de administrar a vida.

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