sexta-feira, 29 de junho de 2012

Operação bicicleta: dia 1*


Com tantas campanhas que incentivam o uso da bicicleta decidi aderir e hoje foi o meu primeiro dia.
O sol ainda estava muito tímido quando subi para as primeiras pedaladas. A sensação que tive foi quase religiosa.

Nunca fui dada aos exercícios físicos, quase sempre dava um jeito de não fazer educação física na escola, sou uma sedentária de carteirinha. Mas admito que não sai da minha cabeça a idéia de fazer alguma atividade a fim de ajustar as engrenagens, tenho uma inclinação para o pilates. A idéia de me esticar toda remete a um livro infantil em que os animais passavam por aparelhos bem rústicos feitos de madeira e parafusos que esticavam ou encolhiam os mesmos, lembro da girafa que quis encolher, no meu caso eu gostaria justamente do contrário, um pouquinho que fosse já me satisfaria, por isso me anima o pilates! Mas entre uma passada e outra em frente a academia nada ainda me fez entrar.

Então a bicicleta veio a calhar, apesar deu percorrer um caminho curto e de pretender usá-la apenas três vezes na semana, já é um começo. Quem sabe a endorfina se torne uma necessidade e eu vá aumentando o uso, ou mesmo me sinta forçada a praticar algum outro exercício.

Tive vários motivos que me levaram a usar a bicleta, um deles é a economia. De onde eu moro até o trem dá uns 10 minutos caminhando, mas sair muito cedo de casa acaba sendo arriscado, então teria de pegar um ônibus que me custaria R$3,10 (incluída a passagem do trem), agora este passa a ser o meu recurso para os dias de chuva.

Outro motivo foi com relação a violência, depois de ter passado por um assalto, não me sinto mais segura ao caminhar pelo meu bairro, acredito que a bicicleta me dá mais recursos para evitar que isso ocorra.

Há alguns anos já um senhor que mora perto da estação está guardando as bicicletas por R$0,50 por dia, em outros tempos teria de acorrentá-la na passarela do trem, sem a garantia de que a mesma estaria ali até a minha volta, muitas pessoas aqui no meu bairro fazem isso todos os dias e a cada dia aumenta o número dos que aderem.

Além disso o que não tem preço é você sentir um ventinho no rosto de manhã cedo! A bicicleta me causou uma sensação de liberdade e de reconexão com o meu corpo. Na volta pra casa quando passei para pegar a bicicleta foi como ter uma companhia. Definitivamente está selada a nossa relação!
Meu coração é meu e de mais ninguém!
Nele guardo aqueles que me são caros!

*Débora Perroni
Professora de filosofia, filósofa clínica
Porto Alegre/RS

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