domingo, 31 de março de 2013

Do Teatro*



Acrescento "a coisa em si” do teatro
a troca entre os atos cênicos no corpo e na expressão do ator em contra partida a resposta viva da platéia

Esta relação tão próxima não permite cópia ou replica cada dia de espetáculo é único, tão único quanto o publico.

O clima cênico transporta o espectador a um portal para uma nova realidade, tão viva quantas aquelas da caverna mencionada por Platão, neste caso o ser através de suas emoções se vê diante de suas próprias sombras de seus vestígios existenciais. (uma espécie de caverna perceptiva) apresentada por outro também perceptivo.

Para que se possa viver o momento e a proposta da dramaturgia é preciso um desligar-se do mundo das idéias e permitir-se a utilizar seus sentidos para captar os dados daquela realidade, que bem sabemos não é a coisa em si mais um sinal da mesma.

O tempo cênico não permite racionalizações elaboradas.

Não se pode rebobinar para ver de novo e assim um saber é capturado, este saber sempre é transformador mesmo que não perpasse pela consciência, tendo em vista que a experiência penetra os portais do inconsciente e dialoga com o Universo das coisas ocultas que funcionam eficazmente através de alguns mecanismos de defesa tais como: identificação, projeção, deslocamento e sublimação.

Quando um toque além do sensorial tatua (em quem ali se entrega ao espetáculo) alguns "lugares" até então inundados pelo senso comum, passam a ter um valor alegórico propiciando assim a saída de uma mitologia existencial, fundada pela cultura da própria história do espectador, saída esta invisível e não cognoscível e por isso mais possível, algo que pode tomar forma na luz da transformação cotidiana, ou seja, uma possibilidade de sair de suas próprias cavernas a luz de um mundo mais valoroso do que o mundo inundado por fantasmas inominados.

Mesmo que isto aconteça por uma fração de segundos pode ser profundamente libertador.

*Alba Regina Bonotto
Psicóloga, filósofa clínica
Curitiba/PR

sábado, 30 de março de 2013

O Som do Universo*



O céu tem um som? Mas qual é o som do céu? Não sabemos... Mas sabemos, desde Platão, que vivemos de música! O Universo é musical e a musicalidade do Universo precisa ser sentida! Peguei-me pensando nisso porque é fato na minha vida que eu vivo com a cabeça embotada em música! Ao longo de um dia são pelo menos três músicas distintas a entoarem na minha cabeça. Umas repetem mais do que outras. Talvez porque, naquele dia, tenham mais significado e por isso parecem chicletes.

Não sei ao certo quantos filósofos falam sobre a musica do Universo, mas sei que há! Meu filósofo preferido é Bergson e ele utiliza muito o exemplo de uma melodia para exemplificar o fluxo contínuo do tempo real: a Duração. Ele diz que a melodia nos carrega! E, pensando nisso, digo que música não é só letra, mas principalmente melodia e harmonia.

Acho que procuro isso: melodia e harmonia pra minha vida. Talvez por isso seja tão musical! Esse Universo que nos cerca e do qual fazemos parte é totalmente musical! Harmônico e melódico! Só precisamos nos deixar levar pela sua música! Bergson diz que somos passantes levados a dançar.

A música transcende a tudo e a todos; ela nos faz feliz, pois quem canta seus males espanta (já dizia o poeta) e quem dança se solta e se sente leve, flutuante no Universo! Música é a expressão da alma! Ela aproxima e faz revolução! Será que a própria revolução que a Terra faz já não é música? Vai saber...! O que importa é que a música é mística, é entediante, é apaixonante e é o som do Universo!

*Vinicius Fontes
Professor, estudante de filosofia clínica
Rio de Janeiro/RJ

sexta-feira, 29 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas VI*



Procura da Poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

*Carlos Drummond de Andrade
1902 - 1987

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lua Lua*



Ela está aqui, numa noite mais adentro. Nua e não crua. Uma Lua Lua.

Dá continuidade a anterior de forma imperceptível, refinada e com raízes mágicas e impressionantes. Mas não se engane: ela vem potente e mágica, sutil e trágica, e deve ser recebida, de qualquer modo, pois será difícil escapá-la.

Sua experiência vem em forma circular e perfeita, com efeitos vertiginosos que, de forma paradoxal, trarão a visão de, no mínimo, um duplo. Sua dança apresenta-se ilógica, central e abrangente, em um compasso não frequente. Suas referências estão implícitas e sua proximidade acessa lugares conhecidos há tempos. Dará realmente chance para um poderoso sentir, uma localização rumo a um possível e estrondoso sentido, em um caminho impreciso.

Na minguante é que esta noite será mais noite, e nesta ausência de luz haverá possibilidade de de cocria-la, com espaço para desenvolver-se em um auto-magistério, que seguirá altamente estimulado. A busca de um sentido apresentar-se-á, no entanto, arredia. Mas o caminho caminha!

A saída desse aparente turbilhão chama-se gratidão. Esforce-se para acessá-la e ela o levará ao regozijo, indispensável à chegada do que se apresentará tão logo haja mu_dança/ moviment_ação, rumo à prosperidade. Através dela tudo será alcançado, mesmo que pareça disfarçada de nada. Nâo se engane: há potência e sutileza. Mas não vidência que lhe faria cega e colocaria seus esforços em vão. Sua nitidez é de outra natureza, pois não lhe cabe iluminar, mas sim despertar e inclinar. E o nome dessa lanterna poderia ser silêncio. De onde tudo poderá ser visto, ouvido, sentido, uma vez acolhido.

Esta Lua Lua é Libra, que co-incidência! Mágica. Como pode uma Lua acolher a tantos e ser Uma? Ela encerra-se neste segredo. Há parcerias. De tempos em tempos, ao longo do tempo. Isso lhe confere potência, e sutileza. Esta é a sua causa mágica. E para ela não há descrição, apenas aceitação. A partir daí, tudo poderá ser compreendido. Mas isso é o que menos importa, pois seu centro estará em toda parte, daí a vertigem, a prisão envolvente e essa própria outra Lua que lhe é parte, e a (re)torna diferente.

Lua_/|\_Lua

*Renata Bastos
Terapeuta astral, filósofa clínica, mestre em filosofia
São Paulo/SP

quarta-feira, 27 de março de 2013

Escrever*



A palavra pode ser um bálsamo que alivia as dores ou um veneno que produz feridas na alma.

Escrever é sempre uma arte complexa.

O campo literário é tão vasto quanto os mundos que habitam o coração de cada escritor. O desafio é sempre uma oportunidade de aprimorar a escrita e desenvolver o próprio estilo.

Em tempos virtuais o livro ainda continua ocupando um lugar ao sol.

Seja velho ou novo, ele eterniza a alma de quem o escreveu.

Se publicar um livro não é fácil, vender é muito mais difícil.

As dificuldades do caminho são grandes, mas a beleza as margens do mesmo são gratificantes.

Aos amigos escritores meu incentivo na luta árdua do caminho literário. Muitos irão elogiar seu livro, poucos irão comprar.

Mas não desanimem, pois o verdadeiro escritor se contenta com os lucros da alegria em fazer da palavra escrita uma vocação.

*Padre Flávio Sobreiro
Poeta, escritor, filósofo clínico
Cambuí/MG

segunda-feira, 25 de março de 2013

Disputas*



Querido leitor, que você esteja bem. Hoje nosso tema é disputa.

No livro sagrado, a Bíblia, há uma passagem em que destaco neste momento. Nela, alguns discípulos de Jesus queriam saber quais seriam seus lugares na hierarquia.

Diz a passagem que Mateus, Marcos e Lucas discutiam qual deles seria o maior no Reino de Deus. Como se isso não bastasse, a mãe de Tiago e João, provavelmente a pedido dos filhos, solicitou a Jesus dois lugares honrados para eles.

Queridos leitores. Frequentemente vimos alguns funcionários gastando um precioso tempo discutindo, tramando e se posicionando de modo a defender radicalmente seu progresso na empresa, em detrimento do sucesso coletivo.

Para mim o sucesso de uma empresa, assim como na grande maioria das repartições que envolva grupos e pessoas, depende do trabalho coletivo. Sozinho, às vezes, temos a impressão de ir mais rápido, mas em grupo, com certeza, vamos mais longe e a jornada é mais alegre e leve.

Em Mateus 20:26, a Bíblia nos dá uma resposta que abre nossos olhos e põe fim a discussão, declarando que “quem quiser se tornar grande entre vós, será esse que vos sirva”. Aqui encontramos uma versão do moderno líder servidor.

Compreendo que a disputa faz parte da vida do homem antes mesmo de aprender a viver em grupo. Mas isso não justifica alguns métodos utilizados por algumas pessoas que se dizem profissionais, se auto intitulam éticas. Para mim, pessoas que usam seus colegas como trampolim, manipulam, roubam ideias, apropriam-se de projetos alheios e muitas outras atitudes são os inimigos do sucesso coletivo. E, se não houver mudança de postura, nesse caso, devem ser podados.

Nesses quase trinta anos como administrador de empresa, concluo por ora, algumas questões. Por exemplo: para quem quiser ser grande, tanto nas empresas como na vida, o segredo é servir. Servir aos empregados, servir aos clientes, servir as pessoas, servir o mercado e, antes de tudo, servir a empresa.

Lembrando que isso é assim para mim hoje. E você, o que pensa sobre o líder que serve?

*Beto Colombo
Empresário, escritor, filósofo clínico, coordenador da filosofia clinica na UNESC
Criciúma/SC

quinta-feira, 21 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas V*



Os Meus Livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

*Jorge Luis Borges
1899 - 1986

quarta-feira, 20 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas IV*



O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

* Mario Quintana
1906 - 1994

terça-feira, 19 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas III*



Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

*Cora Coralina
1889 - 1985

segunda-feira, 18 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas II*



Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

* Ferreira Gullar
Qual teu trauma?*



- Tenho trauma de galinha!

- Como assim? Que coisa mais estranha, explica melhor. Trauma de galinha com pena ou trauma de mulher galinha?

- Não, meu trauma é do bicho galinha, aquele animal que faz cocóricocó. Espera um pouco, tenho trauma de mulher galinha também, mas este não me incomoda tanto.

- Entendi, mas como é que uma galinha te deixou traumatizado?

- Quando eu era criança, meus avós tinham galinhas no pátio e brincávamos com elas. Um dia, a mais grandona do galinheiro, saiu correndo atrás de mim me bicando. Quanto mais eu corria e gritava, as outras galinhas pareciam se unir a ela cacarejando e me bicando. A partir daí eu fiquei traumatizado com esta imagem e tenho medo de galinha. Se houvesse uma aqui, nesta sala, eu não entraria, muito menos tocaria nela. Tenho nojo do cheiro, do jeito como elas andam...

- Tens certeza de que era mesmo uma galinha ou podia ser um galo?

- Pois é, faz tanto tempo que nem lembro, mas por via das duvidas, tenho medo de ambos. Perú, pato, codorna também pegam carona nos quesitos nojo e medo.

- Já tentastes te livrar deste trauma, consultar um psiquiatra, um terapeuta?

- Prá quê? Este trauma não me incomoda em nada. Qual a chance de eu encontrar uma galinha viva na minha frente hoje em dia? Quando vou ao supermercado elas estão ensacadas e congeladas. Na churrascaria de rodizio elas são servidas tão disfarçadas, espetadas e coloridas com temperos, que nem as reconheço.

Será que eu seria uma pessoa melhor se não tivesse este trauma? Vale a pena o investimento de tempo e dinheiro? Não me incomoda em nada. Além do mais, me divirto muito quando conto esta história. Fico olhando a expressão de espanto no rosto das pessoas, como se não acreditassem que eu pudesse ter um trauma deste tipo.

Cada um tem o trauma que quiser, ou merecer, e o alimenta do modo que bem entender. Acho até que nem quero me livrar dele, pelo contrário, talvez venha a cultivá-lo, criando uma história maior ainda. Ás vezes, traumas aparentemente bobocas servem para encobrir traumas maiores, porque trauma de verdade não se conta, se esconde.

*Ildo Meyer
Médico, escritor, filósofo clínico
Porto Alegre/RS

domingo, 17 de março de 2013

Apontamentos, poéticas noturnas I*



‎[…] porque, para mim, pessoas que me interessam, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns mas queimam, queimam, queimam, como fabulosos fogos de artifício, explodindo como constelações em cujo centro fervilhante se pode ver um brilho intenso.

*Jack Kerouac
1922 - 1969
Fonte*




A fonte deste trabalho está no meu fluente interesse pelas movimentações do planeta Água chamado Terra. Foi através da Astrologia que passei a me sentir acolhida por este planeta, já que ela consegue mapear e indicar essas movimentações de forma viva, desenhando possibilidades a partir não somente de eixos, como também de triângulos, quadrados, retas e pontos, que se relacionam tanto ao mesmo tempo como ao longo do mesmo. A Astrologia é um saber dinâmico, considera e versa sobre a complexidade. Desde cedo, orientou muitos povos e, dentre eles, minhas crenças e buscas também.

Como grande aliada do mapeamento destas possibilidades (a)fluentes, está a sabedoria Pitagórica, Numerológica, complementar de forma surpreendente da organização analítica entorno de um temperamento ou contexto que se apresente. De forma impressionante localiza períodos precisamente e define suas respectivas tônicas. A Voz da Sabedoria, como foi profetizado seu nome – Pitágoras -, realmente acessa a atualidade dos tempos.

Astrologia e Numerologia, juntas, oferecem análises singulares. E nem poderia ser diferente, já que essas áreas conseguem traçar características, nuances, semelhanças e dessemelhanças de formas infinitas, por proporem-se ao particular sem desconsiderarem o complexo. Não há quem tenha buscado entender melhor e de forma séria tais áreas que não tenha, no mínimo, passado a respeitá-las. Sim, elas mapeiam (as) infinitas possibilidades!

Quanto ao trabalho Oracular, caracteriza-se pela variedade de formas. É possível montar um jogo com objetos aleatórios, dando-lhes significados específicos e assim criar caminhos de leitura. A intenção vale imensamente aqui. Se esse jogo for de pedras, os cuidados devem ser com a natureza das mesmas, com a necessidade de limpeza, bem como com as intenções direcionadas a cada uma delas, as quais trazem bagagens já e passam a armazenar o que nelas for depositado. Os Jogos de Pedras estão presentes em muitas culturas, raças e tempos, bem como até os dias que ainda virão, certamente.

E parafraseando o pensador renascentista, Giordano Bruno: há tantos tipos de Oráculos quantos de Oraculistas. Pois bem, mesmo o Tarô sendo um dos Oráculos mais universais, ele sempre apresentará uma visão que pode ser acessada em muitos níveis de profundidade pelo Tarólogo. O Tarô está no mundo, é do mundo e volta-se para o mundo. Encerra uma sabedoria que não se pode dizer encerrada, pois permite que a mesma sempre seja renovadamente acessada. É um Oráculo impressionante, criado e compilado por seres humanos, pois bem, um instrumento formatado e materializado pelo próprio homem e não apenas traduzido, como predominantemente acontece com a Astrologia e a Numerologia, ambas pautadas por leituras cosmológicas, e também os Jogos de Pedras, os quais, literalmente, são compostos pela própria natureza. O Tarô, por sua vez, necessita de um artista ou artesão, tarologista ou não, para sua engendragem. E assim é possível dar-lhe vida, nesse sentido, como às pedras.

O Baralho Cigano é outro Oráculo largamente conhecido entre os mares, com o qual sempre me simpatizei. Desde 2002 tento decifrá-lo, mas sua objetividade parecia ser tamanha que, com o tempo, parei de utilizá-lo, pois sentia dificuldade de decodificação. Mas recentemente, fiz um curso que desvendou muito dos significados de cada uma das cartas, bem como as possíveis leituras ou diferenças entre escolas. A sabedoria do Baralho Cigano é fascinante, por sua simplicidade que encerra conhecimentos que consideram enredos muito mais complexos, permitindo realmente que a visão vá além das meras figuras, uma vez conhecidos os caminhos de suas origens de significação. É um Baralho fantástico pela forma simples que permite visões mais sofisticadas.

Quanto ao (re)batismo desse site orientou-se pela Numerologia Pitagórica e pelos movimentos dos Astros, para melhor atendimento do que se propõe. O nome apresenta anacronismo proposital, pois atualiza o Templo de Delfos – através das Pitonisas – juntamente com a nossa poluída e acolhedora São Paulo.

Gostaria, por fim, de prestar reverências à figura pitagórica, lendária ou não, que perpassa tempos e espaços, através de uma definição que auxilia muito na concepção desse sábio em nossas mentes:

“Esta é a história de Pitágoras tal como a concebi em sonhos por graça e inspiração de Calíope, musa da eloquência e da poesia. Se você, leitor amigo, duvidar de coisas como sonhos e inspiração, o meu conselho é que não prossigas nesta leitura, porque também duvidarás que um dia existiu um homem que foi, ao mesmo tempo, Sábio e Iniciado, Filósofo e Poeta, Matemático e Mago.”**

E como amante da obra de Giordano Bruno, é possível identificar uma mesma linhagem de lucidez entre esses dois homens. O pensador renascentista, mago, filósofo, poeta e escritor tem um livro que define não só os tipos de magia como de magos, sendo tal texto o ponto inspirador para a minha dissertação de mestrado em filosofia, defendida em 2011. O nome do livro de Bruno é: “Tratado da Magia”, (Martins Fontes, 2008). Esse mago filósofo sempre teve o que essa palavrinha genial tem em sua origem: consideração, do latim, considerare, que significa “estar com o céu”. Considerou, desde sempre, a Magia Natural que é matéria da própria vida.

Reverências a esta Magia que a tudo permite. E nas palavras de Bruno:

“A verdadeira filosofia tanto é música ou poesia como pintura; a verdadeira pintura, tanto música quanto poesia; a verdadeira poesia – ou música – é tanto pintura como certa sabedoria divina.”

Tudo isso é possível de ser congregado nos dias de hoje, diante das possibilidades não serem somente existentes, mas passíveis de acesso e de realização. Todas essas linguagens e vibrações são ativadas por uma Mesa Radiônica, e pelos já muitos Dragons que nos acompanham de forma surpreendente e cada vez mais!

E Viva o Healing Reiki!

Que a fluência das águas se apresente na fonte de seu auto-conhecimento e que o fogo transformador esteja sempre aceso no altar de seu templo.

Que assim seja! Pois assim é!

*Renata Bastos
Terapeuta astral, mestre em filosofia, filósofa clínica
São Paulo/SP
** Carlos Brasílio Conte em seu livro “Pitágoras – Ciência e Magia na Antiga Grécia”

sábado, 16 de março de 2013

Fragmentos filosóficos delirantes XCXXXXV*



Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

*Alphonsus de Guimaraens
1870 - 1921

sexta-feira, 15 de março de 2013

Escrituras, desleituras, releituras VII*



"O panorama filosófico do século XIX desemboca no positivismo, postura eufórica e fechada a qualquer vislumbre super ou infra-humano, a qualquer visão mágica da realidade"

"Surrealista é o homem para quem certa realidade existe, e sua missão consiste em encontrá-la"

"(...) a irrupção da linguagem poética sem fim ornamental, os temas fronteiriços, a aceitação submissa de um transbordamento de realidade no sonho, o "acaso", a magia, a premonição, a presença do não-euclidiano que procura se manifestar assim que aprendemos a lhe abrir as portas são contaminações surrealistas dentro da maior ou menor continuidade tradicional da literatura"

"(...) um caminho de compromisso, que cada escritor escolhe ou lavra segundo sua especial concepção da realidade. Assim se acede - por sendas numerosas - a um mundo de revelação até mesmo mágica, e sempre com a chave de mecanismos intuitivos, poéticos"

"(...) a magia (da literatura) é incomunicável, engendra isolamento e solidão"

"Percebe-se neles uma crescente liberação de qualquer compromisso comum - com a comunidade - e um avanço em direção à posse solitária de uma realidade que não se dá em companhia: a magia verbal, o conjunto das potências da analogia isolam e distanciam esses escritores que iniciaram sua obra dentro da cidade do homem"

"(...) todo poeta perpetua na ordem espiritual a atitude mágica do primitivo"

*Julio Cortázar
1914 - 1984

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Poema, ou O Nada, ou O Ser*



Nada. Página em branco.
É isso que isso é!
E é isso que isso não é.

Um poema sobre nada, coisa alguma,
Coisa nenhuma, ou coisa nem uma
Talvez mais, talvez menos,
Maior ou menor grau de abstração.

Não faz sentido...
Faz sentido!
Sem sentido algum, sem sentido nem um
Talvez muitos ou talvez nenhum.

Pensado, desejado, falado, fitado
Amargurado...!
Porque não se consegue nada
E sobre nada é isso aqui

Mas já têm algo
Aqueles que leem, ou que ouvem
Ou que falam, ou que fitam.
Folha branca esperando receber.

Receber o que? O quê!
Receber aquilo que se vai tornar palatável.
Frouxo.
Porque não é algo preso,

Mas será preso. Será preso?
Pode ser que passe adiante
Ou adiante o que não se pode passar.
Deixe estar. Deixe viver. Deixe ser!

Olhe. Contemple. Sinta.
Viva!

E isso é sobre isso:
O poder do branco ou do negro;
Do caráter de folha no nada
Ou a folha do nada,

O papel do papel de página vazia.
Vazia?
Cheia!
Mas cheia, repleta? De que?
Daquilo que quisermos...!

Do horizonte infinito
Que pode ser finito
Para aquele que só lê,
Mas para aquele que fita, deseja, pensa, fala

Passa a frente, a sua frente
E passa a frente, adiante.
Enxerga, contempla, sente, vive.
E o nada deixa de ser o que é

Mas volta desde o começo
Para continuar a ser o que sabe ser:
Ser!
Pois que nada é ser:

Desejado, fitado, amargurado, e horizonte.
História sem fim do finito e da finitude.
E é isso que isso é:
Poema!

*Vinícius Fontes
Filósofo, estudante de filosofia clínica
Rio de Janeiro/RJ

quarta-feira, 13 de março de 2013

Fragmentos filosóficos delirantes XCXXXXIV*



"Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

Antonin Artaud
1896 - 1948

terça-feira, 12 de março de 2013

Uma clínica da não-palavra*



Existem múltiplos sentidos refugiados na expressividade de um não dizer. As poéticas do indizível buscam expandir o conceito para reinventar a ideia. Seus relatos se oferecem entre parênteses, como se fora uma saga sem nome diante do olhar.

Nesse contexto sem texto definido, sua menção aparece em manuscritos de feição indeterminada. Ao não ser verbalizada, deixar entrever a clausura recheada de conteúdos. Assim uma inédita zona se anuncia em rastros de originalidade. Sua feição inaudita pode ser descoberta no silencio porta-voz, assemelha-se a transgressão das miragens em apontamentos de luz e sombra.

Essa fonte de criação possui inconclusão retórica, sua característica de ausência pode ser lembrada pela página em branco. Um logos multifacetado em fuga das contenções da classificação. Sua referência ao mundo sem nome compartilha uma zona impregnada de vida.

A estrutura da quietude aprecia desconstruir certezas. Sua sintaxe insinua uma arte de descobrir invisibilidades nos gestos, atitudes. Ao investigar a matéria-prima dos episódios descontinuados é possível vislumbrar a linguagem dessa realidade da não-palavra, onde um território difuso se manifesta e insinua rascunhos, pinturas, deslizes. Uma dialética calada se oferece na interseção entre ficção e realidade.

Para uma aproximação com esse quase fenômeno existe um longo trajeto pelos contornos da indefinição. A escritura do silêncio pode ser representada em cores, sinais, notas musicais. Ainda assim fica a suspeita de outras verdades, nas entrelinhas daquilo que se permitiu traduzir.

Uma língua estrangeira se aventura na voz dos espaços vazios. O discurso livre, esse prisioneiro das intencionalidades, possui desvãos que apontam um chão refugiado em quietudes. Região de penumbra e meias verdades se faz intuição, por onde a ausência se faz presente. Um modo de ser que se mostra nos eventos sem batismo.

A vertigem dessas manifestações do indizível contém um transbordar, uma metafísica dos enredos, estranha familiaridade onde conhecido e desconhecido se encontram. Na semiose da não-palavra se diz um dizer das lacunas. Os dialetos desse exílio ressoam inesperados, seu pano de fundo é um imenso nada. Talvez a aventura fenomenológica consiga transcrever o silencio que tenta se falar.

*Hélio Strassburger

segunda-feira, 11 de março de 2013

O zelador de almas*



Certa vez ao visitar um hospital espiritual de minha cidade, onde atendem crianças com câncer, pude observar um grupo de pessoas que faziam parte de uma grande equipe de profissionais da área médico-terapêutica. Percebi dentre estes profissionais, um que com grande carinho se preocupava com uma criança que tentava escrever um bilhete, mas era surda, e por isso pouco dominava, a língua portuguesa.

Este homem, a qual denominou de “zelador”, muito lhe provocava, pois se sentou próximo a sua cama e pôs-se a escrever em uma folha em branco. Em sua redação este homem, descrevia a princípio, o ambiente do hospital e sua estrutura física, passando logo a seguir, a descrever o grupo de crianças que ali se encontravam internadas para tratamento médico. Logo que terminava de escrever, o “zelador” deixava o papel em cima da mesinha de apoio da cama desta menina, que muito curiosa, logo pegava a folha de papel com o bilhete e chamava o auxiliar da ala pediátrica, para auxiliá-la a ler o que estava escrito.

E surpresa o bilhete mencionava, que de tudo o que tinha observado no ambiente, o que mais lhe chamava a atenção, era uma menina de olhar profundo que tentava escrever um bilhete. Na próxima visita, a menina logo que avistava a visita misteriosa, logo o chamou e em libras, pediu para que o auxiliar lhe ajudasse na interpretação de suas perguntas. E foram várias perguntas, desde o seu nome e o que ele pretendia com todos aqueles bilhetes.

Foi quando o “zelador”, respondeu: que era um cuidador de almas, traduzindo um Filósofo Clínico e que neste período antes do Natal, sempre se dedicava por um período de seu dia a visitar crianças e adolescentes internadas naquele hospital. Travaram muitos diálogos e logo a garota, passou a confiar em suas visitas e a relatar seu dia, como se fossem velhos amigos.

Na singularidade e beleza dessa amizade nasceu um laço amigo e mais que humano, senti a presença da verdadeira fraternidade. À menina floresceu e afirmou que ao crescer queria também ser uma cuidadora de almas. O homem que se chamava Heliberto e tinha um consultório, terminou feliz sua maratona de visitas, pois plantou no coração de Sofia, (era como a criança interna se chamava), a esperança, o aconchego, a felicidade.

Para Heliberto, era como se as rosas que plantava no coração e alma das pessoas, fossem esculpidas a puro ouro. Sabemos que no seu íntimo, a sua filosofia nobre no Cuidar, demonstra o que vai à alma com sede de cuidar, pois para ele o sentido é: Zelar também é dar a vida, zelar é amar.

Ivânia Egas
Tradutora e intérprete
de libras/Filósofa Clínica
Manaus/AM

domingo, 10 de março de 2013

O direito ao anonimato*



Era de se esperar que o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI iria provocar um enorme ibope. Afinal, ele é uma pessoa pública, e na Igreja Católica Apostólica Romana responde pela direção dos fiéis em todo o mundo.

Hoje ao ligarmos a TV ou acessarmos a internet só conseguimos ver notícias relacionadas a renúncia do Papa Bento XVI. Desde demonstrações de solidariedade até suposições sobre quem irá assumir o seu lugar. Há criticas de quem não é fiel da Igreja, e também até daqueles que se dizem fiéis. Há “bate-bocas” descontrolados entre religiosos e não religiosos. Cada um no seu direito de expressar livremente o que pensa.

Há pessoas defendendo o Papa Bento XVI contra criticas ferozes. Há criticas ferozes. Há pessoas rezando. Há mulheres seminuas invadindo Igrejas para demonstrarem sua alegria em forma de protesto. Há “especialistas” na TV fazendo analises e tentando imaginar o futuro da Igreja. Há repórteres acampados no Vaticano. Há pessoas apostando em “candidatos” ao “cargo” de próximo Papa. Há análises de todos os tipos e para todos os gostos. E conforme o dia 28 de fevereiro chegar o ibope irá aumentar gradativamente. Os holofotes estão mais do que nunca sobre Bento XVI.

O recolhimento que ele busca com a sua renúncia vai demorar algum tempo para acontecer. Tanta movimentação parece o anúncio da morte do Papa. Bento XVI quer ter simplesmente o direito de viver o tempo de sua idade. Quer o recolhimento longe dos holofotes. Outro Papa estará daqui a algum tempo ocupando o lugar que hoje ele ocupa. Após o dia 28 de fevereiro, as atenções estarão voltadas para seu novo sucessor a ser escolhido. Então as luzes dos holofotes estarão fixadas em outro Papa. As criticas começaram novamente. Alguns ficarão contentes, outros descontentes. E a vida seguirá seu rumo como sempre seguiu…

Bento XVI tem o direito ao recolhimento. É uma decisão pessoal. Ele sabe muito bem o peso da escolha que fez. Mas também sabe que o tempo agora é de sair de cena. Suas fragilidades em decorrência da idade já não permitem que esteja à frente de uma posição tão exigente. Quer ter apenas o direito ao recolhimento do silêncio e do anonimato.

Enquanto o mundo se agita com a notícia da renuncia, Bento VXI deve estar separando os livros que agora terá tempo de ler e pensando nos livros que ainda não teve tempo de escrever. Poderá acordar mais tarde e talvez cuidar de um jardim. Poderá ainda ouvir música clássica e dormir com o rádio ligado. Afinal, ele também é humano.

*Pe Flávio Sobreiro
Poeta, filósofo clínico
Cambuí/MG

sábado, 9 de março de 2013

Mulher de Verdade*



Amélias, Marias ou Madalenas
No norte ou no sul
No leste ou no oeste
Não importa a cor a raça ou a nacionalidade
O que conta é ser mulher
Porque toda mulher é de verdade
Ela tem em si o gérmen da vida, o cálice sagrado.
É anima e animus
É frágil mas é forte
Ela é rocha e é nuvem
É sal e sol
É mar e céu é terra e fogo
Não importa a raça ou a nacionalidade
Toda mulher é de verdade
É protetora e protegida
Ela é silêncio e tempestade
É regente e é regida
É acre e doce
É dia e é noite
É força e fragilidade
É alma e coração
É mais e é menos
É soma e divisão
É dúvida e confiança
É doação e cobrança
Mas é sempre de verdade
Furacões e tormentas
Vulcões em erupção
Tardes amenas
Brisas suaves
Céu aberto
Sol escaldante
Noites intensas
Céu estrelado
Essa é a natureza da mulher
É a sua condição
E é por isso que toda mulher é de verdade
Não importa se Marias, Amélias ou Madalenas

*Leila Baptista
Filósofa Clínica, escritora, poetisa
Juiz de Fora/MG

sexta-feira, 8 de março de 2013

Fragmentos filosóficos delirantes XCXXXXIII*




"Vós que não estais na carne, que sabeis em que ponto de sua trajetória carnal, de seu vai e vem insensato, a alma encontra o verbo absoluto, a palavra nova, a terra interior. Vós que sabeis como alguém dá voltas no pensamento e como o espirito pode salvar-se de si mesmo. Vós que sois interiores de vós mesmos, que já não tendes um espirito ao nível da carne: aqui há mãos que não se limitam a tomar, cérebros que vêem alem de um bosque de tetos, de um florescer de fachadas, de um povo de rodas, de uma atividade de fogo e de mármores. Ainda que avance esse povo do ferro, ainda que avancem as palavras escritas com a velocidade da luz, ainda que avancem os sexos um até o outro com a violência de um canhonaço, o que haverá mudado nas rotas da alma, o que nos espasmos do coração, na insatisfação do espirito?

Por isso, lança às águas todos esse brancos que chegam com suas cabeças pequenas e seus espíritos já manejados. È necessário agora que esses cachorros nos ouçam. Não falamos do velho mal humano. Nosso espirito sofre de outras necessidades que as inerentes à vida. Sofremos de uma podridão, a podridão da Razão. A lógica Europa esmaga sem cessar o espirito entre os martelos de dois fins opostos, abre o espirito e volta a fechá-lo. Porem agora, o estrangulamento chegou ao cumulo, já faz demasiado tempo que padecemos sob seu jugo.

O espirito é maior que o espirito, as metamorfoses da vida da vida são múltiplas. Como vós, rechaçamos o progresso: vinde, deitemos abaixo nossas moradas. Que continuem ainda nossos escribas escrevendo, nossos jornalistas cacarejando, nossos críticos resmungando, nossos agiotas roubando com seus moldes de rapina, nossos políticos arengando e nossos assassinos legais incubando seus crimes em paz. Nós sabemos - sabemos muito bem - o que è a nossa vida. Nossos escritores, nossos pensadores, nossos doutores, nossos charlatães coincidem nisto: em frustar a vida.

Que todos estes escribas cuspam sobre nós, que nos cuspam por costume ou por mania, que nos cuspam porque são castrados de espirito, porque não podem perceber os matizes, os barros cristalinos, as terras giratórias onde o espirito elevado dos homens se transforma sem cessar. Nós captamos o pensamento melhor. Vinde. Salvai-nos destas larvas. Inventai para nós novas moradas."

*Antonin Artaud
1896 - 1948

quarta-feira, 6 de março de 2013

Por que a Arte de Amar surpreende?*



O fenômeno é o Amor- sinônimo de relação, logo energia - Movimento, Ação- Liberdade. Que tem como antônimo o Poder - Egocentrismo - Controle - Tensão - Escravidão.
Se amor é Movimento, é deste movimento que se faz e cria a Arte.
Que arte é esta que falo quando o assunto é o amor?
Falo das expressões no tempo e espaço e além do espaço e tempo. Falo da vastidão da alma para além do ego, que é eu aprendiz. Amor pode parecer complexo, mas é Vida.

Arte é movimento da alma, expressão amorosa, que no encontro promove o enamoramento, encantamento, identificação e espelhamento.
A arte faz vibrar a alma, que depois e se enamorar se transforma em paixão. A alma acende a lua, clareia a escuridão dos pantanais. Convida a fusão. As almas se entrelaçam e desejam os corpos incendiados.

A arte avança, rompe, fragmenta,corta. Gera paixão triste.
Na pós-modernidade, nosso tempo do agora, nosso hoje existencial a arte de amar mais separa, rompe, destróí o mito da família e do romantismo, pois há nas entre linhas a busca da autenticidade e honestidade, pois mais patecça que não.

A arte de amar surpreende nos seus estágios erótico, philia e ágape. A arte de amar é uma grande ponte entre a alma, o eu e o outro, sendo a amizade a sustentação fundamental.
A amizade compartilha,compreende, aceita as diferenças, não julga, comunga das luzes e das sombras, tece o existir em todas as dimensões.

Surpreende o amor, por que vai além do romantismo. É poético, imaginal, mítico, racional e irracional. Não foge da separação, da dor e do luto.
Quando o poder entra o amor sai.Amor é liberdade, escolha. Poder é escravidão. Por isto quando o ciúme entra o amor se refugia. A posse, o controle são ante amor, jogo de poder dos escravos. O homem livre liberta.
O homem livre escuta...compartilha sua individualidade sem perder sua identidade. É NÓS! No nós você e eu caminhamos lado a lado. Eu sou eu e você é você. Nos respeitamos na singularidade e nis damos as mãos.

Ah! Quem idealiza o amor vive no desamor. Somos imperfeitos. O amor está para além da perfeição. Por ser pleno acolhe a luz,consciência e a sombra, a alma.
Ilusão achar que amor é paraíso. Por ser vastidão, multiplicidade, racional e irracional, moral e imoral é isto e aquilo.
Por que é tão difícil amar? Por buscarmos a perfeição e desconhecermos o caminho escura da alma. Por idelizar um mundo impossível e romântico. Por ter muita expectativa surgem tantas frustrações.
Por isto, pensar com o coraçāo e alma se pensa bem e vive e ama melhor. Amar é possível para quem trilha o caminho do filosofar.

Só para terminar. Hoje me permito pensar por mim mesma. Penso que a filosofia é a mais sofisticada auto ajuda. Considero um intelectualismo besta negar a autoajuda filosófica como caminho de reflexäo. Na realidade, nós mortais buscamos o tempo todo nos autoajudar para dar conta de viver esta vida tāo trágica. Negar que desejamos nos autoajudar é mentir. Assim pensando escrevi A surpreendente arte de amar para promover uma reflexão, instigar a pensar bem no exercício de fazer a alma.

*Rosângela Rossi
Psicoterapeuta, escritora, filósofa clínica
Juiz de Fora/MG

terça-feira, 5 de março de 2013

Eu em uma frase!



“Minha mãe dizia: “Abra o olho e ache o ladrão””. Essa é uma frase que se encontra no filme Ray, obra que conta a história de vida de um dos maiores nomes da música mundial. Ray Charles faleceu em 2004 quando o filme que conta sua história estava quase pronto. A citação de sua mãe é importante por apontar o quanto o que a mãe disse a Ray Charles tinha peso na sua forma de pensar e de ver o mundo. Essa influência que Charles recebeu de sua mãe fica expressa em uma frase, mas para ele é muito mais do que isso: sua mãe é a eterna companheira. Em cada parte de sua vida foi acompanhado e encaminhado por aquilo que sua mãe disse e não apenas por uma ou duas frases. Uma frase, duas frases de sua mãe se tornariam vazias ao longo do tempo e poderiam ser interpretadas de qualquer forma, sem compromisso com o real significado do dito.

A questão que levanto através do filme Ray é o quanto conhecemos de alguém para tomarmos o que ele diz como verdade. No caso do mundo acadêmico, ainda mais forte, de retirar de um autor com cinco, seis, sete, dezenas de obras apenas uma frase e dizer: “Com essa frase resumimos o pensamento do autor tal”. Esse resumo é roubar, afanar, retirar do autor o escrito de suas obras. No caso deste artigo, falo a partir de mim, se você ler meu escrito e tentar resumir, muito do que está aqui se perderá. Mas, se você tentar explicar com suas palavras o que está escrito, você se apropria do que está escrito e acrescenta o seu modo. Resumir um autor é como editar de suas obras apenas aquilo que se entende resumir o seu pensamento.

Se tentássemos resumir tudo o que você viveu até aqui em uma frase, o que diria? Diga, pode ser só para você mesmo. Agora, pense um tanto a respeito, veja se não é uma pretensão gigantesca resumir uma vida de trabalho, estudo, relacionamento, conhecimento e outras tantas coisas em algumas poucas palavras. Piorando um pouco mais, imagine agora que você pega essa frase e a coloca na sua sala, para que cada um quando entre veja lá a frase que resume sua vida. Há pessoas, e são muitas, que reduzirão tudo o que você fez a isso, uma frase. Sócrates deve estar se revirando no túmulo quando dizem: “Só sei que nada sei”. Por que ele disse isso? A que se referia?

Dizer uma frase e fazer dela um bordão, um jargão, uma linha que ficará nos anais da história não faz dela o resumo de tudo o que um pensador disse. Imagine que a frase de sua parede seja: “Nasci, vivi e morri por aqueles que amo”. Bom, por essa frase pode-se dizer que tudo o que fez na vida foi pelos outros, mas será que é mesmo isso que quer dizer ou fui eu quem entendeu assim? E muitas vezes o que eu entendo não é o que o autor disse, ele pode ter dito outra coisa, mas eu, por ter visto apenas uma pequena frase, entendi errado.

Conhecer a vida de um autor, ler suas obras, estudar um pouco sobre sua cultura faz com que se possa entender um pouco melhor aquilo que ele disse. Um autor quando escreve, mesmo que uma frase, ele nada quer dizer, ele disse. Por isso, resumir o pensamento de um autor em apenas uma frase faz com que tudo o que ele disse se torne vão.

*Rosemiro A. Sefstrom
Filósofo Clínico
Criciúma/SC

segunda-feira, 4 de março de 2013

Santos e Papas*



Querido leitor, hoje vamos refletir sobre santos e papas.

Para mim, o Papa é um ser humano, sujeito a erros e acertos. Claro que, se nós errarmos, as consequências estarão limitadas, diferentemente de um erro cometido por alguém cujo âmbito de atuação se estende a “Urbi et Orbi” (cidade e mundo).

Para nós da América Latina, Joseph Ratzinger foi castrador em seu mandato de Papa e também como o responsável pela doutrina da igreja durante o mandato de João Paulo II. Calou mais de 100 teólogos, dentre eles, Leonardo Boff; dividiu dioceses para limitar poderes, frustrou sonhos de milhões de católicos que acreditavam que, por meio da Igreja, alcançaríamos a justiça social; interrompeu o avanço feminino na instituição católica.

O apóstolo Paulo admitiu diaconisas na Igreja, um sacrilégio aos olhos e ouvidos de Ratzinger. Só para se ter uma ideia, nos EUA, quando as freiras se organizavam para reivindicar o diaconato, ele, como doutrinador da Santa Sé, ordenou que voltassem para seus conventos.

Foi extremamente insensível em relação aos padres que se afastaram da Igreja, negando-lhes a licença para casar. Foi um moralista, no caso das camisinhas, dos anticoncepcionais, dos homossexuais.

Por muitas vezes, relacionei sua imagem trôpega, triste, lenta, doente, o discurso baixo, com a imagem atual da própria Igreja Católica. Ratzinger foi um papa que governou olhando pelo retrovisor e impondo seus fiéis que retrocedessem ao passado enquanto outras igrejas se atualizaram e avançaram.

Sobre sua renúncia, talvez seja o melhor ato e a melhor decisão para a sua igreja. Quem sabe, assim, assuma um novo líder que inverta a pirâmide, seja menos castrador e, quiçá, permita que a igreja de base consiga dar um passo adiante.

Que venha a nós o vosso reino aqui na terra como é no céu, ao invés de ficar somente em adoração pedindo a interseção de Anjos e Santos distantes. E que este bendito homem possa ser, pela primeira vez na história, um brasileiro, ou alguém que conheça a realidade latino americana.

Lembrando que isso é assim para mim hoje.

*Beto Colombo
Empresário, filósofo clínico, escritor, coordenador da Filosofia Clínica na UNESC
Criciúma/SC

domingo, 3 de março de 2013

Fragmentos filosóficos delirantes XCXXXXII*



"Quando te decidires, parte!
Não esperes que o tempo cubra de flores o caminho.
Nem sequer esperes o caminho;
faze-o tu mesmo e parte!
Parte sem pensar que outros passos pararam,
Que outros olhos ficaram te olhando seguir!"

*Prado Veppo
Médico psiquiatra, professor, poeta
Santa Maria/RS

sábado, 2 de março de 2013

O tempo que resta***



"O tempo que resta" é um dos últimos filmes a que assisti. É francês e mostra os meses finais de vida de um jovem fotógrafo que descobre sofrer de um tipo de câncer já em processo de metástase. O filme é sensível, triste e tem aquele tempo e tom especialíssimos que só os europeus sabem imprimir nas produções cinematográficas.

Em alguma medida, "O tempo que resta" lembra outro filme: "O poder além da vida". Este fala também de um jovem que precisa encarar a morte ou a vida depois de sofrer um acidente de trânsito enquanto se prepara para participar das olimpíadas. Com os movimentos limitados, se vê obrigado a deixar para trás a vida de noitadas, mulheres e bebidas, contando com o auxílio e inspiração de um senhor que o jovem apelida de "Sócrates".

A diferença das duas obras é que, no primeiro caso, o personagem principal desiste de viver e, no segundo, a tragédia serve como divisor de águas na trajetória do jovem, convidando-o a adotar valores e princípios mais elevados. Impossível não se sensibilizar tanto com uma como com outra obra e não por acaso lembro imediatamente de uma amiga que se diz ateia e que teme o acontecimento de uma grande tragédia na própria vida para que nela desperte a consciência sobre a existência de Deus.

Afora argumentos religiosos ou espiritualistas sobre a existência ou não de uma divindade, fato é que, para grande parte das pessoas, é necessária uma dor imensa ou perda para que atente para o lado bom da vida. São inúmeros os relatos de pessoas que perceberam o modo de vida maluco que levavam só depois de um impacto emocional violento.

Lembro que, ainda na adolescência, considerando que pretendo viver pelo menos 80 anos, calculei quantos dias de vida me restavam. Surpresa, cheguei à conclusão de que era muita coisa para apenas cumprir o ciclo de nascer, crescer, reproduzir e morrer, ocupando boa parte da vida produtiva para acumular bens e recursos que seriam gastos na terceira idade, para tratar doenças decorrentes de um modo de vida inadequado.

Desde então não espero notícias ou fatos ruins, muito embora eles tenham acontecido, para viver aquelas coisas simples do cotidiano que tanto bem fazem ao físico, ao emocional e espiritual. Tento me convencer de que este é o jeito novo de viver, o jeito de uma nova era, mais iluminada e feliz, e, na minha fantasia feita realidade é assim mesmo. Independente do tempo que mes resta, é uma tentativa de potencializar o poder de viver.

*Sandra Veroneze
Jornalista, filósofa clínica
Porto Alegre/RS

**Texto integrante da obra "Eternidade ou infinito", publicada pela Editora Pragmatha

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Pensamento em 3D*



Ao ligar conceito de fé somente a religião, o limitamos a uma margem de grandes equívocos e perdemos mais uma oportunidade de auto conhecimento. Sem poder desvincular a coisa da fé com a coisa da religião o transito sobre a riqueza desta competência humana fica limitada.

É interessante, fazer uma pesquisa por dicionários e constatar que os mais antigos como o Aurélio, tem uma definição de fé ultrapassada e bem comprometida com a coisa da religião e da crença em Deus ou do misticismo e adulação do fantástico. São definições cartesianas e equívocos montados nas bases da escolástica medieval. Já dicionários mais modernos, nos dão folga e espaço, para existir ante ao conceito e permitir que ele seja singular a nossa forma de pensar e ser.

Acredito ser impossível ao ser humano, uma existência desprovida de fé, ela é constitucional,serve como uma espécie de estrutura temporária para alguns movimentos e também para uma certa calmaria curativa. A fé tem , para algumas pessoas o efeito de tamponar parcialmente algumas fendas e lacunas, para que a atenção possa ser redirecionada á eventos e situações de uma forma mais fluida, mais útil a existência.

Isso significa dizer que quando percebemos um defeito , ou uma falha em nossa face diante do espelho, temos a tendência a ficar só olhando pra ela, porque a mente parece nos direcionar sistematicamente para que providenciemos seu concerto, algo como colocar uma lona na casa destelhada em noites de temporal. A fé as vezes aparece como solução preventiva em um movimento interno pró vida.

Ficar atolado nas fenda das duvidas, pode ser muitas vezes fatal. Fazemos investimentos de toda natureza baseados em fé, são emocionais, afetivos, libidinais, financeiros e muito mais. As vezes você calcula e tenta medir os riscos, as probabilidades mas o movimento final continua sendo um ato de fé , daí fica fácil cair nas fórmulas prontas, nas receitas clericais, no misticismo. A fé conforme o dicionário moderno exemplifica, é a condição mínima para o movimento intelectivo e físico em direção a vida , as descobertas e as realizações.

Vivemos em um mundo dentro de nós mesmos, que é tão ou mais misterioso do que o mundo fora de nós e isto em muitos momentos provoca sensação de vazio e de falta de direção, a fé surge para nos dizer “cuide bem de seus filhos que nada de mal ira lhes acontecer; termine sua faculdade que seu futuro será promissor; invista emocionalmente nesta relação; pode sair de casa, com seu carro que você vai chegar e por ai vai ”. Há algo dentro de nós que nos conduz, a Filosofia Clinica chama isso de Estrutura Do Pensamento,esta abarca competências humanas que fazem composições diversas e revelam-se na singularidade do sujeito.

Tem também a coisa da boa fé, de dar fé, de agir de má fé, esses termos usados comumente pelo judiciário, nos dão uma visão de que as relações de fé permeiam o mundo e acredito que ele seria impraticável sem ela. Como um diretor vai administrar sua empresa se não confiar nos seus funcionários? Como um esposa vai ficar longe do seu marido se ambos não confiarem um no outro?

Nem mesmo as ciências atuariais conseguem construir certezas, tudo é probabilidade, amostra e aproximação. As vezes podemos direcionar a nossa vida baseados em experiências ruins, com resultados que acabam se definindo como a única possibilidade e nos equivocamos ao nos fechar para a revive-las e reinventa-las, porque nossos arquivos e amostragens existências, tem por base de aproximação, algum tipo de declínio.

A espécie humana é de fato tendenciosa e prolifera-se culturalmente na cegueira da massa,sobre o achismo , faz deste um recurso de auto conhecimento. Não coordenamos o pensamento em 3D, apesar de pensarmos em varias dimensões, como as do real, do bio-sensorial e do emocional. Na maioria das vezes somos comandados por um ou dois destes prismas, e por vários motivos acabamos por banalizar a competência dos demais, o que nos remete a bases de botes salva- vidas, no oceano das incertezas.

Acredito que quanto mais formos capazes, de abarcar em nossos movimentos a conjunção de todas essas dimensões do existir e do pensar, mais chegamos ao que muitos chamam de transcendência, confesso que não gosto muito desta palavra prefiro dizer que ascendemos sobre nossa mais plena potência.

Há muitos pontos cegos, o que nos impele a um movimento por aproximação, porém não há muitas certeza e esta poucas vezes irá surgir, nem nas ciências mais exatas, nem nas relações, nem no cosmos , não são as certezas que movem a humanidade e nossos corações .Sobre as duvidas é a fé que nos faz buscar as respostas. Eu dou Fé a fé e você?.

*Alba Regina Bonotto
Psicóloga, filósofa clínica
Curitiba/PR