quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Guga...*


Não há o que fazer. Acontece, assim, sem querer, o apaixonamento. Num movimento. Vem e fica. Toma conta e tudo significa. Pelo tempo que precisar. Com a intensidade necessária.
Pois é, devo confessar. Estou me apaixonando por um homem!! Um menino. Meu neto.
Encontramo-nos, então, olhando um para o outro. Por instantes. Que se prolongam por minutos. E por meias horas. Olhares que tranquilizam. E falam tanto. Brilham os olhinhos dele. E fazem brilhar os meus. O que se passa nesta cabecinha? Não se precisa de respostas....
O tempo para. Diante de um olhar assim puro e inocente. Está aprendendo a sentar. A descobrir o mundo. Tudo ao redor. Construindo suas primeiras palavrinhas. Ainda em forma de sons. Que já podem ser entendidos. Ou imaginados....
Sinto-me assim: netinhos e avôs constroem mundos que somente eles entendem. Pelo olhar. Percebo-me voltando a ser criança outra vez. Faz muito sentido nesta etapa da vida.
Assim me vejo, imaginando, que nos entendemos. E nos entendemos mesmo. O que , porventura, não compreendemos, aceitamos. E deixo-me viajar:
"Ele viverá o final do primeiro século do ano 2000. Como será o mundo em 2100....????
Recobro-me e decido semear esperanças e olhares bondosos. Para nós é o suficiente, por enquanto....

*José Mayer
Filósofo, estudante de Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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