sábado, 2 de agosto de 2014

Por onde andam as ideias?*


Onde você está agora? Você já se fez esta pergunta? Não muito tempo atrás não era possível ao ser humano realizar grandes deslocamentos de um lugar para o outro, tudo era muito lento, comparado com a velocidade atual. Os homens montavam em seus cavalos e se dirigiam ao destino a uma velocidade de 40 km/h, ou seja, quase o dobro do que se poderia fazer a pé. Com o tempo veio à máquina a vapor e logo depois o automóvel, com a impressionante velocidade de 40 km/h, havia quem dizia que o corpo humano não suportaria velocidade maior.

Nos dias atuais, o ser humano pode se deslocar a velocidades incríveis, um carro de passeio anda normalmente a 80 km/h. Sendo assim, somos o dobro mais velozes do que nossos antepassados, mas há os que amam a velocidade e passam dos 200 km/h. Para além dos carros podemos falar dos trens bala, veículos sobre trilhos que chegam a mais de 200 km/h. Ainda mais rápidos são os aviões, muito utilizados para longas distâncias, esses objetos voadores podem chegam a impressionantes 900 km/h.

Os deslocamentos que coloquei acima são obrigatoriamente feitos pelo corpo, por isso quando pergunto “Onde você está agora?” a resposta pode ser bem simples. Basta dizer onde está agora e já podemos dizer que você se localizou. Mas se eu lhe perguntasse “Onde está seu pensamento? Onde estão suas idéias?”, você teria para estas questões as mesmas respostas para a pergunta “onde está seu corpo?” Para a surpresa de muita gente, as respostas são totalmente diferentes. Algumas pessoas conseguem sair de sua casa, ir até a praia e continuarem em casa.

Assim como o nosso corpo, nosso pensamento também se desloca nos levando aos mais diferentes ou comuns lugares. Por isso fiz a pergunta: “Onde você está agora?” Pois muitos dizem que vão para a praia, tirar férias um tempo para descansar a cabeça, mas continuam pensando as mesmas coisas em que pensavam todos os dias. Estão à beira mar, mas não sentem a brisa, não sentem a areia, não sentem a água e não convivem com o que ali está. Apenas o corpo está ali, sendo exposto ao ambiente, mas a cabeça deixa o corpo à deriva e se dirige para outras questões.

Estas pessoas normalmente voltam para casa e dizem para si e para outros: “Parece que nem tive férias, não consegui descansar”. Para estar em um lugar, se você gosta de estar lá e te faz bem, comece pelo corpo, sinta o que está ao seu redor. Se você está à beira mar, comece pela vista: o que você vê, mar, areia, ondas, pessoas, as cores de cada objeto observado. Depois pode seguir os sons que se apresentam aos seus ouvidos: os pássaros, o mar, pessoas falando, música tocando. Pode ainda sentir a pele ou passear pelos aromas. Naturalmente, direcionando a atenção para estas coisas. Vivenciando cada uma delas você terá a oportunidade de reduzir a velocidade do seu pensamento e trazê-los para onde você está.

Corpo e mente podem ter velocidades diferentes, para cada um a sintonia é diferente. Mas quando a mente está acelerada demais e o corpo está sempre correndo atrás, talvez seja hora de segurar.

Rosemiro A. Sefstrom
Filósofo Clínico
Criciúma/SC

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