terça-feira, 30 de setembro de 2014

Escrever...*


Quem gosta de escrever entende.

Quando a alma se encolhe não há como escrever. Torna-se algo impossível. Daí não tem o que fazer. A não ser esperar. Qualquer tentativa de esforço é em vão.

As palavras partem-se pela metade. Não acham o seu lugar certo. Não conseguem completar uma frase inteira. As letrinhas tornam-se triangulares. Cheias de pontinhas. Não rimam. Não constroem melodias. Ferem-se umas as outras.

Aí digo para mim mesmo: Ah, Zé, não machuque as letrinhas....

De repente aparece como que um clarão. E no ônibus. E eu sem caneta. Aproximei-me, timidamente, de todos os passageiros. Pedindo-lhes, por favor, uma caneta emprestada. Mas não havia canetas. Pensei em descer do ônibus e escrever na areia. Ou na água. Uma senhora viu meu alegre desespero e emprestou-me seu lápis de colorir os olhos. Aceitei, assim sem jeito. E que é o meu jeito. Escreveria a mim, através dos olhinhos dela....

Pouco depois, vendo-me escrever, minha amiga, sentada ao meu lado deu-me a sua caneta. E disse que era de presente. Para escrever meus poemas. E levantou-se e desembarcou....

Fiquei assim... me sentindo feliz e tão pequenininho.

*José Mayer
Filósofo, Estudante de Filosofia Clínica na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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