quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Para que serve a inteligência?*


Você sabe o que é inteligência artificial?  Em geral nosso conhecimento sobre o assunto não vai muito além de pensar em algo parecido com um computador super inteligente. Na verdade, inteligência artificial ainda é uma mistura de sonho e realidade.

A tecnologia já foi alcançada. Máquinas com capacidade de memória, raciocínio e argumentação superiores aos humanos estão disponíveis  em qualquer esquina, no entanto,  carecem de recursos emocionais. Até onde isto pode ser considerado inteligência? Como o próprio nome diz, são apenas máquinas que buscam dados armazenados e os combinam em alta velocidade. 

Cientistas buscam ir além e compreender o fenômeno da inteligência, procurando decifrar o modo como os seres humanos pensam e representam suas vivências.  Elaboram teorias e modelos matemáticos de inteligência e depois os transferem para dentro de computadores, com o objetivo de multiplicar a capacidade racional do ser humano de resolver problemas, pensar ou, em última análise, ser inteligente.

Afinal de contas, qual critério define um ser inteligente? Cientistas definem um agente inteligente como um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso.

O sonho é saber se a nova geração de computadores terá realmente capacidade de aprender, pensar e quem sabe até ter sentimentos, pois são justamente as emoções quem validam, dificultam e fazem o contra ponto às decisões racionais. É preciso refletir também o que vamos fazer com tais máquinas e o que elas poderão fazer conosco.

Partindo do princípio que toda esta estrutura tecnológica de inteligência artificial foi criada através de modelos que copiam o cérebro humano, por que sentimentos também não poderiam ser criados de maneira semelhante? O que impede? Uns dizem ser impossível, outros dizem que é uma questão de tempo.

Algumas destas máquinas são programadas para dialogar baseando-se em palavras chave. Por exemplo, cada vez que o interlocutor disser que está triste, o computador buscará uma série de expressões que se assemelhem neste contexto, como “fiquei chateado com sua tristeza”, “isso me deixa sem palavras”, “estou solidário com sua tristeza”, “se tivesse lágrimas estaria chorando com você”.

Máquinas também podem ser montadas com câmeras e microfones acoplados a sistemas que reconheçam  fisionomias, sons e sinais de alegria, tristeza, raiva, mentira, sonolência. Logo que um sinal for identificado, a máquina buscará dados em seu arquivo para interagir conforme os sinais emitidos.

Máquina se programando para amar: abrir um pouco mais os olhos, acelerar respiração, aquecer a pele, mudar o tom de voz, tocar o outro suavemente. Muita gente pode confundir tais respostas mecânicas artificiais com sentimentos genuínos e acreditar que finalmente foram criadas máquinas com capacidade de se emocionar.

Seres humanos, sem perceber, fazem este tipo de comportamento todos os dias. Emitem frases, abraçam, fazem carinhos mecanicamente, sem que isto represente sentimento algum. Atitudes e pensamentos  robotizados. Observe as pessoas cantando "parabéns a você" numa festa de aniversário ou dando pêsames num funeral. Olhares, expressões e discursos vazios, apenas cumprindo um ritual, representando papéis existenciais. Tão falsificados quanto bonecos com inteligência artificial simulando sentimentos programados.

Até onde viramos bonecos e os bonecos podem ser humanos? Quanto restou de sentimento humano para ser assimilado pelas máquinas? Por que  estamos desenvolvendo bonecos para nos relacionar emocionalmente?

"Dentro de poucos anos teremos os meios tecnológicos para criar uma inteligência super humana. Algum tempo depois, a era humana vai terminar" -  Vemor Vinge. Antes de investir em inteligência artificial, talvez fosse melhor fazer algo relacionado à nossa mente natural.

Inteligência artificial pode ser suficiente para interagir, não para sentir. A luz artificial das lamparinas não encanta os girassóis, ela apenas e somente engana os insetos. Inteligência artificial, sonho ou pesadelo?

Ildo Meyer
Médico, Escritor, Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS 

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