segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cogitação Filosófica*


               
Umas vezes sinto sono, mas quase nunca sonho. Outras vezes realidade, mas quase sempre engano. Umas vezes aspiro ao mito, outras vezes entendo o fato. Umas vezes rosa, outras machado.                   
                                                      Rogério de Almeida


Nem pense em encontrar, no aqui exposto, a precisão cirúrgica dos deuses doentes da modernidade, que passavam os seus extensos dias ceifando sentidos, separando as línguas clássicas das bárbaras e situando as boas e más palavras.

Primeiro, que qualquer tipo de conceito que possa traduzir o desconforto, não serve ao nosso propósito. Não é fácil encontrarmo-nos em um amontoado de conceitos que não se compreende e constatar que, sobre os mesmos, muito pouco se sabe.

Inúmeras vezes, nossa desgraça se torna nossa redenção. Não sabemos exatamente, nem como nem por que. A inquietação que mobiliza, também conduz à construção filosófica e a expressão dos martírios que nos consomem, nessa existência errante e agoniada.

Desconstruir imagens, colocando um quinhão de filosofia em nosso algoritmo. Expressar a profunda aflição que remexe nossas entranhas, numa tentativa desesperada de traçar e ordenar idéias, dando vida aos fantasmas que habitam e que assombram nossas noites insones. A inquietação que imobiliza é a mesma matéria que impulsiona.

 O desafio consiste em dar luz a essas partes obscuras do indivíduo, onde o conhecimento cego do infortúnio não cabe mais na existência e nem reflete a inquietação que muitas vezes nos envolve.

A reflexão filosófica é o caminho para que possamos emergir desse caos mental, denso e sufocante. Remexer entranhas, arrancando do fundo de nosso ser a inspiração contida e trancada dentro d’alma. Urge que juntemos os cacos e que nos reconstruamos com poesia e alguma filosofia.

*Mariah de Olivièri
Filósofa, Artista Plástica, Poeta, Mestre em Filosofia, Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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