quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Estórias de livreiro*


Choveu naquele dia. O dia inteiro.

Gilberto era o seu nome. Profissão: leitor. Ele era assim, meio esquisito.Vivia de ler. E parecia ler o que lhe fazia bem. Ou não. Não sei....Percebia-se isso no seu jeito de andar. E no seu jeito de falar. 

Naquele dia falou-me de um livro que estava lendo: As Aventuras do Bom Soldado Svejk.

Observou categórico, mas sereno:
- Mas isto, Zé, é um livro que precisa ser lido no inverno....

Está bem...

Em algumas situações meu pensamento voa rápido. Selecionei já, em minha cabeça os livros para serem lidos no verão. E aqueles para serem lidos no inverno. Outros para serem lidos na primavera. Ainda aqueles que só poderiam ser lidos no outono.

Disse-me ainda:

- Uma vez quis defender esta tese: os livros necessitam ser lidos de acordo com as estações do ano.

Tinha razão meu amigo. Concordei com a cabeça.
É, faz sentido....

Pensei comigo: Existiriam, certamente, também os livros para serem lidos conforme as estações da alma....

*José Mayer
Filósofo, Livreiro, Poeta, Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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