quarta-feira, 4 de março de 2015

Abraços*


Abrace-me de mansinho
Pois abraço tem que ter jeito
Suave que pode virar colo
Deixe espaços para as asas
- Não me aperte muito!
Senão vira sufoco
- Não me amasse
Nem dobre minh'alma.
Abrace-me, porém, inteiro
- Não me corte em fatias
Ninguém abraça um pedaço.
Demore-se junto ao meu peito
Atravesse meu corpo... e volte
Pois preciso ainda deste abraço
Amanhã... e depois ,,, e depois...
Abrace-me, assim, sem pressa
Salva-me um dia e uma noite
Salva-me uma vida...
Pois te abraço para recuperar
Tudo que ainda me falta
Fechas assim os olhinhos
Para dizer-me que compreendes
Que enquanto os corpos se abraçam
As almas alegres se enlaçam.
Aquele abraço era o lado bom da vida
Mas eu também sabia
Que para merecê-lo
Eu precisava me esquecer
E o que é trágico e irônico
Para ela viver, eu precisava perdê-lo
Tínhamos um problema de territórios
Enquanto ela queria abraçar o mundo
Eu ficaria contente em abraçar ela.
Ainda lhe levarei meu abraço
Nas despedidas e retornos
Em portos e aeroportos...
E em meio a este abraço
Murmuraria-lhe baixinho ao ouvido
Que te adoro.... um tanto
E sei também que ela
Baixinho murmuraria-me de volta
Que me adora.... um pouco...
Naquele dia, ao seu findar, ela pediu-me um abraço.
"O amor é eterno enquanto não começa...."

*José Mayer
Filósofo, Livreiro, Poeta, Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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