sexta-feira, 27 de março de 2015

Canção da saudade*


Canta a canção das horas que não vejo
Das veias que dilatam
Dos urros que esbravejo
Segue o contorno desses dias ancorados
A um presente que resiste
Por força do passado.
Canta a canção das horas que eram tuas
Alegria do som da tua voz – a minha cura
Ainda ronda os sentidos, ainda te procura.
Horas debruçada nos limites do teu rosto,
E plena de teu mundo, de teu gosto,
Retinha teu carinho em desmesura.
Canta a canção e acorda a que tão bem conheces
Que sonha, que sabe de delírios
E algumas alegrias porque não te esquece;
Acotovelada à janela da eternidade
Anda mouca para os sons que antes ouvia
Enquanto teu cantar não acontece.

*Sônia C. Prazeres
Filósofa, Poeta, Filósofa Clínica
São Paulo/SP

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