domingo, 29 de março de 2015

Vida de Livreiro...*


Isto vale muito a pena...  mas cansa , às vezes.

Vida de Livreiro. Nunca gostei da expressão "vendedor de Livros". Comercial em demasia. Livreiro apenas. Para dizer mais. Para dizer tudo.... Aliás, nunca me senti confortável vendendo livros. Ou cobrando livros. No fundo, no fundo ensejava ser doador de livros. Ou emprestador de livros. Imaginava e tinha certeza que me daria melhor numa biblioteca. Ou numa livraria beneficente....

Sempre digo que livreiro tem que ser curioso. Não pode ver pacote de livros, necessita abri-lo. Não pode ver livro de contracapa, necessita virá-lo. Não pode ver livro fechado, necessita abri-lo..

Singular profissão a nossa, não é Mauro Messina. Conversávamos, eu e o Mauro. Havia época em que livreiro tinha também a função de pesquisador de temas e autores para os clientes. Lembrei-me de uma historieta:

Procurou-me, certa feita, uma amável senhora que estava se preparando para um concurso. Trazia somente as temáticas do concurso. Eu, como sempre, me dispus a ajudá-la. Sabia que seria função dela pesquisar obras e autores. Lá fui eu, por duas ou três semanas, juntando o melhor material possível.

Tempos depois encontrei a senhora na Feira do Livro. Lembrou-me ela daquele fato. Agradeceu-me mais uma vez. Falou que tinha passado no concurso e estava muito bem....

Eu que não sou de perder a viagem disse-lhe que não havia necessidade de agradecimento. Todavia , me sentia feliz. Jeitosamente, disse-lhe que poderia deixar minha conta bancária para depósito de uma ínfima porcentagem....

Até hoje nunca conferi detalhadamente meu extrato bancário

Deixa estar.....

*José Mayer
Livreiro, Filósofo, Poeta, Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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