sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Fragmentos de alma primaveril*


"Saibam, pois, que a arte é: um caminho para a liberdade. Todos nós nascemos acorrentados. Um ou outro esquece os seus grilhões, revestindo-os de prata ou de ouro. Mas nós queremos quebrá-los. Não com violência torpe e selvagem; queremos nos desvencilhar crescendo até que eles não nos caibam mais." 

"A criação do artista é uma insígnia: a partir de seu íntimo ele exterioriza todas as coisas pequenas e efêmeras: seu sofrimento solitário, seus desejos vagos, seus sonhos angustiados e aquelas alegrias que perdem o viço. Aí sua alma se engrandece e torna-se festiva, e ele criou o lar digno para si mesmo."

"Cada um de nós recria a mundo ao nascer, porque cada um de nós é o mundo."

"(...) a busca nostálgica de si mesmos. Seus maiores arrebatamentos provinham das descobertas que faziam em seu íntimo."

"Fato é que cada um cresce em direção a si mesmo."

"Não podendo a arte ser nacional em seus momentos de apogeu, segue-se que todo artista, na verdade, nasce em terra estrangeira. Sua pátria não está em lugar algum situando-se apenas em seu próprio íntimo. E as obras nas quais traduz a linguagem desta terra são as suas mais genuínas."

"Em seus atos de libertação ele oferece como um presente as possibilidades adormecidas, e apenas quem conhece a palavra mágica é capaz de despertá-las novamente e transformá-ls em alegria e festividade."

"(...) na obra do gênio, a regra é o acaso necessário."

"O homem que não necessita de títulos, porque ele, com o seu trabalho, é portador de todas as honrarias, e haveria de sentir-se tolhido e amedrontado se tivesse de ocupar determinado posto. Ele não erige um trono para si próprio, embora pudesse fazê-lo a cada dia. Ele sabe: tronos podem cair."

"Cada vez mais estou convencido de que não me refiro às coisas, e sim àquilo que elas fizeram de mim."

*Rainer Maria Rilke in "O diário de Florença"   Ed. Nova Alexandria. SP. 2002

Nenhum comentário:

Postar um comentário