domingo, 15 de novembro de 2015

Fragmentos poéticos, filosóficos, delirantes*


"(...) clássico é um tipo primordial, fundador, em que vidas futuras se reconhecem e cujas pegadas seguirão - um mito, portanto, pois o tipo é mítico e a essência do mito é retorno, atemporalidade, onipresença."

"Aonde chegaríamos se quiséssemos despir o conceito dos primórdios de sua natureza relativa ? Só existem começos relativos."

"(...) a fronteira entre as atividades de poeta e escritor não passa por fora, pelo lado das aparências, e sim dentro da própria pessoa; (...)"

"Na esfera de Lessing, nós nos acostumamos a relativizar as coisas, a humanizar o conceito de verdade, e nos habituamos à ideia de que os critérios do que é verdadeiro residem menos na verdade defendida do que naquele que a defende."

"O gênio, podemos afirmar, revela-se onde aparece algo nunca antes intuído, onde algo nunca antes imaginado se materializa; (...)"

"A natureza não oferece paz, simplicidade, univocidade; ela é o elemento da interrogação, da contradição, da negação, da dúvida ampla."

"(...) contra os amigos da humanidade e da perfectibilidade que acreditam que o ser humano almeja a felicidade e a vantagem, quando na verdade ele também anseia por sofrimento, essa única fonte de conhecimento, e não deseja o palácio de cristal e o formigueiro da perfeição social, jamais abrindo mão da destruição e do caos. "

"Pois a única forma de lidar com o que é poético, irracional, é por meio da literatura, e não por intermédio da palavra que analisa e dissocia."

*Thomas Mann in "O escritor e sua missão". Ed. Zahar. RJ. 2011 

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