domingo, 22 de novembro de 2015

Tempestades*


Lembro-me. Quando aconteciam tempestades ,
com relâmpagos e trovões. Mamãe comentava:
- É Deus riscando fósforos lá no céu
- É São Pedro jogando bolão com os amigos.
Naquele tempo eu acreditava... não havia nenhum mal nisso.

Meu pai era um ator do cotidiano. Representava a vida em formas mais divertidas. Era engraçado. Gostava de fazer as pessoas rirem...

Eu entendia ele. É que a vida é pouca para caber num dia. Pouca para caber numa semana. Pouca para caber num mês. É preciso inventar uma vida a cada dia.

Hoje iludo-me pensando que entendo tudo isto melhor. Não acredito em vitórias antecipadas. Tenho dificuldade em acreditar em fatalidades do destino. Entro em briga com ele. E faço ele jogar a meu favor...

Na monotonia morna de dias repetitivos, invento tempestades. E não me refugio dentro de casa. Nem acendo velas para o medo encolhido. Tampouco queimo palmas para a escuridão cega.

Hoje, prefiro permanecer na tempestade. Alcanço a minha mão para os relâmpagos. Afino os meus ouvidos para as músicas dos trovões. E deixo a chuva cobrir o meu corpo para lembrar de amores...
Afinal. nenhum temporal é para sempre....

*José Mayer
Filósofo. Livreiro. Poeta. Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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