quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Um almoço na Feira do Livro*


Um rápido tempinho para um almoço. No mesmo lugar onde almoçamos juntos tantas vezes. Pedi um almoço simples, prato do dia. Leve, pra não machucar os sentimentos. Pouco, para não espantar as lembranças.

Me avisam que demoraria quinze minutos. Legal, havia trazido caderno e caneta.
Me pus a escrever:

"O amor que tenho por ti
É bem maior que a soma
Dos amores da tua vida.
Ah, se tu soubesses
Como um homem ama
Como é difícil para o homem amar
Como é difícil para o homem amar de novo
Ah, se tu soubesses
Como ama um homem como eu...."

Terminado o almoço, esqueci caneta e caderno sobre a mesa. Que culpa tenho por um esquecimento? Se deixei sobre a mesa um pedacinho de mim. Retornei meia hora depois. Sobre a mesa o caderno e a caneta. E abaixo do meu poema estava escrito:

"Ah, se eu soubesse antes
O amor que tinhas por mim...."

Tive a sensação que reconhecia a letra. Comprei uma barrinha de cereal.
Que sempre dividíamos juntos.
E saí....

*José Mayer
Filósofo. Poeta. Livreiro. Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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