segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dialética Interior*


Da incapacidade explícita de um movimento
Surgiu aquele que poderia ser o melhor de todos.
Foi embora sem nada deixar.
Mas moveu-se.
E o móvel foi daqui pra lá;
Arrastou alguma coisa de lá para cá.
Não parou. O mundo continuou a girar.
No movimento que empreendeu, surgiu o impossível:
O que era inconsciente, já não é mais.
Deslocou o vento, os mares e as marés;
Pairou sobre os morros e montanhas;
Cavou fundo e descobriu o infinito.
Entrou em si e se achou, perdeu-se para se encontrar.
Nunca mais foi o mesmo.
O movimento interior empreendido modificou o externo,
Deu vida ao interno,
Trouxe paz para o resto e conectou-se com o Todo.
Já não é mais o mesmo de hoje,
É diferente de ontem igual ao de amanhã.
Movimento de vai e vem, vem e vai.
Onda após onda se encontra com o Todo, está no Todo,
É o Todo.
Seria necessário o movimento interno pra despertar para o externo,
Seria necessário o Nada para compreender que é o Todo
É necessário o Todo para entender que é Nada.
Inquietude inquietante mostra como a dualidade
Pode ser o que é: dual.
Jogo de luz e sombra: ora um, ora outro, devir e repouso.
A dialética perfeita na imperfeição interna inerente ao ser.
A dialética perfeita do Ser.
Conectado com o Todo, sendo Todo e Nada,
É Devir e Repouso, é e não é, movimenta e para,
Todo e Nada.

*Vinicius Fontes
Filósofo. Filósofo Clínico. Mestrando em Filosofia/UFF. Cronista do cotidiano.
Rio de Janeiro/RJ

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