sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Fragmentos filosóficos, delirantes*



"E é aqui que se pode captar a diferença entre as dialéticas da razão que justapõe as contradições para abranger todo o campo do possível e as dialéticas da imaginação que quer aprender todo o real e encontra mais realidade naquilo que se oculta do que naquilo que se mostra."

"O negro alimenta toda cor profunda, é a morada íntima das cores. Assim o sonham os obstinados sonhadores."

"A admiração é a forma primária e ardente do conhecimento, é um conhecimento que enaltece o seu objeto, que o valoriza. Um valor, no primeiro encontro, não se avalia: admira-se."

"Temos aqui um bom exemplo da necessidade que tinham os alquimistas de multiplicar as metáforas. A realidade, para eles, é uma aparência enganadora."

"A explicação médica unifica geralmente a alucinação e ignora seu caráter dialético, sua ação de superação."

"Jacques Prévent, em 'Le quai des brumes', escreve: 'Descrevo as coisas que estão atrás das coisas. Assim, quando vejo um nadador, descrevo um afogado.'"

"Parece que o leitor é chamado a continuar as imagens do escritor; ele sente-se em estado de imaginação aberta, recebe do escritor a permissão plena de imaginar."

"Quando o sonho se apodera assim de nós, temos a impressão de habitar uma imagem."

"(...) a relação entre anima e animus é uma dialética de envolvimento, e não uma dialética de divisão. É neste sentido que o inconsciente, em suas formas mais primitivas, é hermafrodita."

"(...) O vinho é realmente um universal que sabe tornar-se singular quando encontra um filósofo que saiba bebê-lo."

*Gaston Bachelard in "A terra e os devaneios do repouso". Ed. Martins Fontes. SP. 2003.

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