quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Fragmentos filosóficos, delirantes*



"(...) o conteúdo que designamos como o 'agora' nada mais é do que a fronteira eternamente fluida que separa o passado do futuro."

"A concepção mítica da linguagem, que em toda parte precede a filosófica, caracteriza-se sempre por esta diferença entre a palavra e coisa. Para ela, a essência de cada coisa está contida no seu nome. Efeitos mágicos se vinculam de maneira imediata à palavra e à sua posse."

"(...) mesmo a ambiguidade inerente à palavra não constitui uma mera deficiência da linguagem, e sim um momento essencial e positivo da força expressiva que nela reside. Porque nesta ambiguidade se evidencia que os limites da palavra, tais como os do próprio ser, não são rígidos, e sim fluidos."

"Toda realidade - tanto a espiritual quanto a física - é, de acordo com a sua essência, uma realidade concreta, individualmente determinada. Por isso, a fim de apreendê-la, é preciso que nos libertemos da universalidade falsa, enganosa e 'abstrata' da palavra."

"(...) toda forma de espírito verdadeiramente original cria a forma linguística que lhe é apropriada."

"Para determinar com precisão o caráter específico de toda e qualquer forma do espírito, faz-se necessário, antes de tudo, medi-la pelos seus próprios padrões. Os critérios segundo os quais ela é avaliada e que norteiam a apreciação de suas produções não lhe devem ser impostos de fora, sendo, ao invés, indispensável que derivemos estes critérios das próprias leis básicas que determinam as suas formações."

*Ernst Cassirer in "A Filosofia das Formas Simbólicas". Ed. Martins Fontes. SP. 2001 

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