segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Fragmentos filosóficos, delirantes*



"Aliás, uma intuição não se prova, se vivencia."

"(...) o tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas."

"Veremos então que a vida não pode ser compreendida numa contemplação passiva; compreendê-la é mais que vivê-la, é efetivamente impulsioná-la."

"O que pode haver de permanente no ser é a expressão não de uma causa imóvel e constante, mas de uma justaposição de resultados fugidios e incessantes, (...)"

"Roupnel, como historiador minucioso, não podia ignorar que cada ação, por simples que seja, rompe necessariamente a continuidade do devir vital."

"(...) ela leva em conta não apenas os fatos, mas também, e sobretudo, as ilusões - o que, psicologicamente falando, é de uma importância decisiva, porque a vida do espírito é ilusão antes de ser pensamento."

 "No fundo, o indivíduo já não é mais que uma soma de acidentes - mas, além disso, essa soma é, ela própria, acidental. Da mesma maneira, a identidade do ser nunca se realiza plenamente, ela é afetada pelo fato de a riqueza dos hábitos não ter sido regida com atenção suficiente."

"Mais que uma doutrina do eterno retorno, a tese roupneliana é, pois, uma doutrina do eterno recomeço. Ela representa a continuidade da coragem na descontinuidade das tentativas, a continuidade do ideal apesar da ruptura dos fatos."

"A consciência do tempo é sempre, para nós, uma consciência da utilização dos instantes, é sempre ativa, nunca passiva (...)"

"Ensina-nos a ver e escutar o Universo como se só agora tivéssemos dele a sã e súbita revelação. Reconduz a nossos olhares a graça de uma Natureza que desperta. Devolve-nos as horas encantadoras da manhã primitiva banhada de criações novas."

*Gaston Bachelard in "A intuição do instante" Ed. Verus. Campinas/SP. 2007

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