domingo, 6 de dezembro de 2015

Fragmentos filosóficos, delirantes*



"Mais do que uma razão a priori, convém pôr em ação uma compreensão a posteriori , que se apoie sobre uma descrição rigorosa feita de conivência e de empatia."

"Ao nomear , com excessiva precisão, aquilo que se apreende, mata-se aquilo que é nomeado. Os poetas nos tornaram atentos a tal processo."

"(...) estar atento a uma lógica do instante, apegada ao que é vivido aqui e agora. Tal lógica do instante nada tem a ver com a vontade racionalista que pensa poder agir sobre as coisas e as pessoas. Ela é muito mais tributária do acaso, de um acaso que ao mesmo tempo é necessário; próxima, nisto, do que os surrealistas chamavam de 'acaso objetivo'."

"(...) aquilo que introduz a um pensamento acariciante, que pouco se importa com a ilusão da verdade, que não propõe um sentido definitivo das coisas e das pessoas, mas que se empenha sempre em manter-se a caminho."

"(...) o instituinte, aquilo que periodicamente (re)nasce, nunca está em perfeita adequação com o instituído, com as instituições, sejam elas quais forem, que sempre são algo mortíferas."

"(...) admirável fórmula de Fernando Pessoa: 'Uns governam o mundo, outros são o mundo'. São, sem dúvida, aqueles que são o mundo que nos interessam."

"(...) para perceber a especificidade e a novidade de um fenômeno social, convém mais referir-se à vivência daqueles que são seus protagonistas de base, do que às teorias codificadas que indicam, priori, o que esse fenômeno é ou deve ser." 

*Michel Maffesoli in "Elogio da razão sensível. Ed. Vozes. Petrópolis/RJ. 2005

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