segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Fragmentos filosóficos, poéticos, delirantes*


"Assim, como disse, tenho apenas minhas perplexidades a lhes oferecer. Estou perto dos setenta. Dediquei a maior parte de minha vida à literatura, e só posso lhes oferecer dúvidas."

"E a vida, tenho certeza, é feita de poesia. A poesia não é alheia - a poesia, como vemos, está logo ali, à espreita. Pode saltar sobre nós a qualquer instante." 

"Creio que Emerson escreveu em algum lugar que uma biblioteca é um tipo de caverna mágica cheia de mortos. E aqueles mortos podem ser ressuscitados, podem ser trazidos de volta à vida quando se abrem as suas páginas."

"(...) Berkeley escreveu que o gosto da maçã não estava nem na própria maçã - a maçã não pode ter gosto por si mesma - nem na boca de quem come. É preciso um contato entre elas."

"(...) gostaria de dizer que cometemos um erro bastante comum ao pensar que ignoramos algo por sermos incapazes de defini-lo."

"Os homens buscaram parentesco com os derrotados troianos, e não com os vitoriosos gregos. Isso talvez porque haja uma dignidade na derrota que dificilmente faz parte da vitória."

"(...) uma língua não é, como somos levados a supor pelo dicionário, a invenção de acadêmicos ou filólogos. Ao contrário, ela foi desenvolvida através do tempo, através de um longo tempo, por camponeses, por pescadores, por caçadores, por cavaleiros. Não veio das bibliotecas; veio dos campos, do mar, dos rios, da noite, da aurora."

"(...) imagino que uma nação desenvolve as palavras de que necessita."

"Suponho que haja tantos credos, tantas religiões, quantos são os poetas."

*Jorge Luis Borges in "Esse ofício do verso". Ed. Cia das Letras. SP. 2007

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