sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Sobre diminutivos*


Falo:
-Vamos fazer um chimarrão?
-Vamos..
-Só se você me pedir.
- "Josezinho', vamos fazer um chimarrão...?

Nunca pegou um apelido em mim...

Já me chamaram de "Zezinho". Parece pequeno demais. Eu já me sinto no diminutivo. Zezinho me reduz a quase nada. Abraço a minha fumaça. Desenho sobre o meu nevoeiro. Toco-me para ver se ainda existo...

Já me chamaram de "Zé". Zé é todo mundo e cada um. Parece uma bolinha de pingue-pongue na boca do povo. Sinto-me em praça publica...

Já me chamaram de "José". Percebo-me duro e áspero. Me carrega ao mundo dos compromissos e responsabilidades. Lembra-me São José, Virgem Maria e Jesus... desculpa... é muito peso para carregar....

Já me chamaram de "Josezinho". Gosto. Me sinto um pouco mais comprido. Consigo olhar por cima do muro. Para espiar as flores do outro lado. E ela brincando no meio delas. Me espicho e consigo ver o horizonte, e além dele. E vejo ela retornando bem ao longe.

*José Mayer
Filósofo. Livreiro. Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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