quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Analítica da procura*


“Somos todos desconhecidos para nós mesmos, e se fazemos alguma ideia de quem somos, é apenas porque vivemos dentro dos olhos dos outros.”
Paul Auster

“...porque a verdade total não existe para o homem e porque essa ilusão o paralisa.”
Karl Jaspers

Pode alguém conhecer outro alguém, sem menos saber seu passado, o histórico do tempo que demarcou sua vida, esses dois vierem a ser tão próximos, como um dia poderão ser perdidamente juntos no tempo, até mesmo distantes, um cada seu lugar. Essa poderia ser uma pergunta, agora é uma assertiva em relação ao que estou a pensar em relação à música.

O começo sobre uma expressão da vida, mesclo outras formas de sentir, discorro sobre a linguagem que compõe esse pensamento, melhor, sobre o que o pensamento está se envolvendo. Procuro cuidar os caminhos incertos em que levo a reflexão, nem sempre consigo achar uma saída. 

Talvez aí a diferença da reflexão com a genialidade da criação. Ainda ontem vi um comentário de um diarista de esportes falando sobre o “acaso” de um passe, de um lance de mestre de um jogador. Ele resumiu, que do gênio saí coisas que para os outros poderia ser uma jogada de sorte, um erro que se transforma em caminho para o lance que a imagem irá decifrar como maravilhosa, no caso deste lance, para o comentarista, foi dos pés que a genialidade driblou tudo e se transformou numa pequena obra-prima.

Retorno ao caminho da linguagem que parte da música, que intercambia com outras formas de perceber, de narrar, melhor, de ver com a narrativa que vai do abstrato à forma, onde o conteúdo é visto com clareza.

É como um filme em que a pessoa assiste e se perde nele, se perde apaixonado, entre signos, o desenho das letras. Os vitrais a distância é o caminho dos olhos, entre as imagens, a escritura ganha um aliado, o repouso da criação sobre o tempo que se perde nas ideias. 

Então, o roteiro se perde mais ainda, quando se consegue entrar na história as coisas se encontram, fechar do texto na imagem na ideia que não deu conta de tudo, mas o todo é uma parte apenas do que se pensa. O conteúdo passa a fazer parte do seu cotidiano momentâneo. Se pode tudo, além daquilo que se tem medo. 

“Todo questionamento é uma procura.” M. Heidegger.

*Prof. Dr. Luis Antônio Paim Gomes
Filósofo. Editor. Professor. Livre Pensador
Porto Alegre/RS 

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