terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*


"O animal humano precisa dizer-se. Mas é próprio dos 'discursos' (mitos, representações, histórias) serem impermanentes, saturarem-se."

"São cada vez mais numerosos os que nada têm a dizer e o dizem em voz alta."

"A intranquilidade do ser não tem o que fazer, de fato, com promessas moles e hipócritas. Agrada-lhe muito mais a inquietante inquietação que é toda vida. O enigma, mais que a solução."

"Quando se institucionaliza, a ciência torna-se dogmática e precisa ser sacudida para recuperar o dinamismo original e de origem."

"Já não se trata de ser um adulto sério e tensionado para a perfeição de um "estado" estável, mas, pelo contrário, uma eterna criança, sempre em devir e ávida pelo que se apresenta."

"(...) as apresentações vitalistas se empenham em descrever os frêmitos, as efervescências, o fervilhar de uma cultura em perpétua gestação."

"Donde a necessidade de cultivar a lucidez, e de uma ponta de ceticismo em relação a tudo que se pretende eterno."

"Devo frisar que, desde sempre, o ato de pensamento esteve voltado para os que se fazem perguntas, e não para os que já têm as respostas."

"O sentido para a pessoa é fornecido pela pluralidade das máscaras que a constituem, e pelo contexto no qual suas diversas máscaras poderão expressar-se."

"As máscaras pós-modernas estão sob influência. Influência de coisas, de problemas ancestrais. Traduzem a força impessoal que, de forma subterrânea, vem de muito longe, e às vezes se exprime à luz do dia."

"Nascer com o mundo sem passar pelas palavras, eis efetivamente o que parece estar em jogo em todas as práticas tribais e em seus excessos."

*Michel Maffesoli in "O ritmo da vida - variações sobre o imaginário pós-moderno". Ed. Record. RJ. 2007. 

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