sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*


"Nossos pensamentos correm sobre a fronteira aberta para confraternizar com povos de outros costumes e outra língua. A fascinação nos confronta diuturnamente com o diverso. Etnias de diferentes origens nos levam a saborear diferenças dentro das nossas fronteiras."

"Louvável nesta visão panorâmica da literatura brasileira é o esforço de compreendê-la na sua diversidade sem as deformações provocadas quando submetida à ótica dos centros hegemônicos."

"(...) Viaja-se pelo puro prazer de viajar. Coisas acontecem ao sabor do deslocamento. Homens se renovam. Tudo se renova. O viajante não é mero espectador. Tocado pelo lugar, ele se transforma. Fronteiras se movem ao infinito. Odisseu, o navegante homérico, se desloca conduzido pelo desejo de conhecer o espírito dos homens, o espaço contribui para formar os espíritos inventados (...)."

"Fantasmagórico é o universo verbal. Faça-se a afirmação que se fizer, ela será sempre traidora, prostituída, por mais fiel que pretenda ser."

"O fora da lei é ameaça aos que vivem na lei."

"Minha pátria é a língua portuguesa, diz Fernando Pessoa. Observe-se, entretanto, que o escritor, ao transgredir fronteiras, provoca o estranhamento, opera como estrangeiro. Vive dentro e fora da língua."

"Quem habita a língua portuguesa, move-se num organismo em transformação. A transgressão, o estranhamento, o exílio, a vertigem é a vida da língua portuguesa. Quem a elegeu como pátria, vive perplexo."

"O significado espanta porque vagueia na fronteira do dizível e do indizível. Não há como recusar a palavra vivida. Instalada no limite da norma e da transgressão, ela foge da definição."

"Ora, o que se observa na loucura é que os signos, livres da objetividade, dão voz a verdades que não estão inscritas nos objetos."

*Donaldo Schuler in "Fronteiras e confrontos". Ed. Movimento. Porto Alegre/RS. 2009

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