quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*


"Não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento. Os animais dependem da fotossíntese das plantas para ter atendidas as suas necessidades energéticas; as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais, bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias em suas raízes; e todos juntos, vegetais, animais e microorganismos, regulam toda a biosfera e mantêm as condições propícias à preservação da vida."  

"Todo organismo vivo se renova constantemente, na medida em que suas celulas se dividem e constroem estruturas, na medida em que seus tecidos e órgãos substituem suas celulas num ciclo contínuo. Apesar dessa mudança permanente, o organismo conserva a sua identidade global, seu padrão de organização."

"(...) o sistema que se liga ao ambiente através de um vínculo estrutural é um sistema que aprende."

"A cognição, portanto, não é a representação de um mundo que existe independentemente e por si, mas antes a contínua produção de um mundo através do processo do viver."

"Quando átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio se ligam de uma determinada maneira para formar o açúcar, o composto resultante tem um sabor doce. A doçura não está nem no C, nem no O, nem no H; reside, isto sim, no padrão que surge de uma determinada interação dos três."

"Numa organização humana, o acontecimento que desencadeia o processo de surgimento espontâneo de uma nova ordem pode ser um comentário informal, que, muito embora não pareça importante para quem o fez, pode ser significativo para algumas pessoas dentro de uma comunidade de prática."

"(...) o surgimento da novidade é uma propriedade dos sistemas abertos, o que significa que a organização tem de abrir-se a novas ideias e conhecimentos. Para facilitar o surgimento da novidade, é preciso criar essa abertura - uma cultura de aprendizado que encoraje o questionamento constante e recompense a inovação. As organização dotadas de uma tal cultura valorizam a diversidade e, nas palavras de Arie de Geus, 'toleram atividades marginais: experimentos e excentricidades que dilatem a sua margem de conhecimento'".

"Está claro que o interesse principal das empresas de biotecnologia não é a saúde humana nem o progresso da medicina, mas o lucro. Um dos meios mais eficazes de que elas dispõem para garantir que o valor de suas ações continue alto, mesmo à revelia de quaisquer benefícios, médicos significativos, é a perpetuação, perante os olhos do público, da ideia de que os genes determinam o comportamento." 

*Fritjof Capra in "As conexões ocultas". Ed. Pensamento-Cultrix. SP. 2002

Nenhum comentário:

Postar um comentário